Faltando pouco mais de duas semanas para a abertura das urnas no primeiro turno, o anúncio do reajuste de 15% nos repasses do Bolsa Família elevou a temperatura dos bastidores em Brasília. A medida gerou uma forte contraofensiva de lideranças da direita e de pré-candidatos presidenciais adversários, que acusam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de aparelhar a máquina pública com objetivos eleitorais. Em contrapartida, governistas saíram em defesa da medida, enquadrando a iniciativa como um compromisso contínuo com a população de baixa renda.
Na frente jurídica, a oposição já se mobiliza para contestar o aumento perante a Justiça Eleitoral. O candidato à Presidência Renan Santos (Missão) classificou a decisão como populista e confirmou o acionamento dos tribunais para tentar sustar o reajuste. Na mesma linha, o Partido Novo estuda questionar a validade do ato legalmente. Segundo o presidente da legenda, Eduardo Ribeiro, o ponto crítico não é a revisão do benefício em si, mas a sua implantação às vésperas do pleito. Figuras de destaque da direita, como o governador mineiro Romeu Zema e parlamentares do PL como Nikolas Ferreira, Jorge Seif e Renato Bolsonaro, multiplicaram críticas nas redes sociais, sustentando que a medida expõe a apreensão do Planalto com os rumos da disputa.
Por outro lado, parlamentares e integrantes da base governista reagiram em bloco para blindar o Planalto e demarcar o contraste de pautas sociais contra a oposição. O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, rebateu as acusações destacando que o programa é essencial para a subsistência das famílias vulneráveis, postura apoiada pelo governador baiano Jerônimo Rodrigues (PT) e por nomes como Jandira Feghali (PCdoB-RJ) e André Janones (Rede-MG). De acordo com os dados apresentados pelo Executivo, o piso do programa sobe de R$ 600 para R$ 691, elevando o benefício médio para R$ 777. A medida terá um impacto orçamentário projetado em R$ 5,8 bilhões para este ano e R$ 22 bilhões em 2027.



