Foto: Rafaela Araújo/Folhapress

A maioria dos políticos citados em investigações e apurações relacionadas ao Banco Master conseguiu vencer as eleições deste domingo (4). Entre os nomes que conquistaram mandato estão Jaques Wagner (PT-BA), Hugo Motta (Republicanos-PB), Antonio Rueda (União Brasil-RJ), Nikolas Ferreira (PL-MG), Elmar Nascimento (União-BA) e Mario Frias (PL-SP).

Por outro lado, Ciro Nogueira (PP-PI) não conseguiu se reeleger para o Senado, enquanto ACM Neto (União Brasil-BA) foi derrotado na disputa pelo governo da Bahia. Flávio Bolsonaro (PL-RJ), também citado nas apurações, avançou para o segundo turno da eleição presidencial.

As situações envolvendo os políticos são diferentes e incluem contratos de prestação de serviços, relações pessoais, mensagens, negócios e suspeitas de favorecimento investigadas pela Polícia Federal. A simples menção de um nome em registros da investigação não significa, por si só, que a pessoa tenha cometido irregularidades. Os políticos citados negam irregularidades nos episódios relacionados a seus nomes.

Bahia

Jaques Wagner foi reeleito senador pela Bahia. O parlamentar foi alvo de buscas na Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de vantagens relacionadas à defesa de interesses do Banco Master. Entre os elementos analisados estão um apartamento e transferências para uma empresa ligada à família do senador. Wagner nega irregularidades.

Rui Costa (PT), ex-governador da Bahia e atual ministro, também foi eleito para o Senado. Seu nome apareceu em uma proposta de delação apresentada pelo ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro. A proposta foi rejeitada pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República por falta de elementos suficientes para confirmar os relatos. Costa nega favorecimento ao banco.

Já ACM Neto perdeu a disputa pelo governo baiano para Jerônimo Rodrigues (PT), que foi reeleito no primeiro turno. Durante a campanha, Neto foi questionado sobre pagamentos feitos pelo Banco Master e pela gestora Reag à sua empresa de consultoria. Ele afirmou que os valores eram legais e correspondiam a serviços prestados.

Câmara dos Deputados

Hugo Motta foi reeleito deputado federal pela Paraíba. O presidente da Câmara apareceu em mensagens trocadas com Daniel Vorcaro, incluindo referências a uma possível sociedade envolvendo um terreno em João Pessoa. Motta negou irregularidades e afirmou que a interlocução com empresários faz parte da atividade parlamentar.

Antonio Rueda, presidente nacional do União Brasil, foi eleito deputado federal pelo Rio de Janeiro. Escritórios ligados a ele receberam pagamentos do Banco Master. Rueda nega irregularidades.

Nikolas Ferreira também foi reeleito em Minas Gerais. O deputado apareceu em um áudio no qual pedia ajuda a Vorcaro em uma questão relacionada a um ativo de mineração de interesse de um ex-assessor. Nikolas confirmou o contato, mas negou qualquer ato ilícito ou repasse financeiro.

Elmar Nascimento (União Brasil-BA) e Mario Frias (PL-SP) também renovaram os mandatos. Elmar foi mencionado em reportagens sobre conversas com Vorcaro. Frias aparece em registros relacionados ao apoio do empresário ao filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro, e nega irregularidades.

Flávio Bolsonaro, que também aparece nas apurações relacionadas ao caso, avançou para o segundo turno presidencial. O senador é citado em mensagens relacionadas à busca de recursos para o filme “Dark Horse”. Ele afirma que procurou patrocínio privado para a produção e que não ofereceu contrapartidas.

Ciro Nogueira

No Piauí, Ciro Nogueira não conseguiu renovar o mandato de senador. Ele terminou atrás de Marcelo Castro (MDB) e Júlio César (PSD).

O presidente nacional do PP foi alvo de buscas da Polícia Federal em maio, em uma investigação que apura suspeitas de recebimento de vantagens para atuar em benefício do Banco Master. A apuração também reuniu registros de viagens que teriam sido custeadas por Vorcaro. Ciro nega qualquer irregularidade.

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