A menos de três semanas das eleições, as campanhas eleitorais no Rio Grande do Norte já movimentaram quase R$ 100 milhões em receitas, enquanto as despesas declaradas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) somam R$ 44,5 milhões. Os dados, referentes às prestações de contas registradas até 19 de setembro, mostram que a maior parte dos recursos utilizados pelos candidatos tem origem pública.
Do total de R$ 98,6 milhões recebidos, aproximadamente R$ 93,1 milhões, ou 94,3%, são provenientes de recursos públicos, entre eles o Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC). As receitas de origem privada, como doações, correspondem a cerca de R$ 5,5 milhões, ou 5,6% do total.
O cenário se repete quando são observadas as despesas. Dos R$ 44,5 milhões já gastos, R$ 41,9 milhões foram pagos com recursos públicos, o equivalente a 94,13%. Já os recursos privados responderam por aproximadamente R$ 2,6 milhões das despesas, ou 5,87%.
Styvenson lidera gastos entre candidatos
Entre os candidatos, o maior volume de despesas declarado até 19 de setembro é do senador Styvenson Valentim, que já registrou aproximadamente R$ 2,37 milhões em gastos.
Outro que se destaca é o do deputado federal General Girão, que declarou R$ 2,1 milhões. Ele aparece à frente do candidato do PL ao Governo do RN, Álvaro Dias, que informou ter desembolsado até o momento R$ 2,08 milhões.
Na sequência aparecem a candidata ao Senado pelo PT, Samanda Alves; as candidatas a deputada federal Thabata Pimenta (PV) e Carla Dickson (PL); o deputado federal João Maia (PP), candidato à reeleição; o candidato ao Senado pelo PDT, Rafael Motta; e a senadora Zenaide Maia (PSD), que também disputa a reeleição.
Redes sociais
Outro dado que chama atenção nas prestações de contas é o volume destinado à publicidade digital. No Rio Grande do Norte, os candidatos já direcionaram R$ 1,26 milhão ao Facebook, plataforma pertencente à Meta, empresa que também controla Instagram e WhatsApp.
Com esse valor, o Facebook aparece como a terceira empresa que mais recebeu recursos das campanhas no Estadoaté o momento.
No cenário nacional, a concentração de recursos em plataformas digitais também é expressiva. O Facebook já recebeu R$ 147,6 milhões das campanhas. A DLocal Brasil Instituição de Pagamento S.A., que atua como processadora e intermediadora de pagamentos para serviços da Meta, incluindo o Facebook Ads, recebeu outros R$ 60,4 milhões.
A evolução dos gastos eleitorais com o Facebook também evidencia a mudança na estratégia de comunicação das campanhas. Em 2018, durante toda a eleição, os candidatos brasileiros destinaram R$ 22,9 milhões à plataforma.
Quatro anos depois, em 2022, o montante chegou a R$ 129,4 milhões. Considerando os valores registrados até agora, o crescimento em relação a 2018 já chega a 541,92%, mesmo antes do encerramento da atual campanha.
No Rio Grande do Norte, a trajetória é semelhante. Os gastos declarados com o Facebook passaram de R$ 208.428,41 em 2018 para R$ 1.216.643,96 em 2022. Até 19 de setembro deste ano, o valor já alcançava R$ 1.265.029,47.
Na comparação com 2018, o montante destinado à plataforma no Estado representa um crescimento de 506,94%.
Os números ainda são parciais e podem aumentar até o encerramento da campanha, já que os candidatos continuam registrando novas receitas e despesas na Justiça Eleitoral.
A mudança também mostra o peso cada vez maior da publicidade digital nas campanhas, em um cenário no qual recursos que anteriormente eram destinados a meios tradicionais de comunicação passaram a ser direcionados, em parte, para plataformas digitais.



