Na política, a imagem costuma chegar antes da explicação. E poucas imagens sintetizam melhor a situação do ex-prefeito de Natal, Álvaro Dias, do que um placar elástico: 7 a 0.
O número não nasce da retórica adversária nem de uma disputa eleitoral. Ele decorre dos processos públicos que analisam as contas anuais da Prefeitura de Natal referentes aos exercícios de 2018 a 2024.
O levantamento revela um dado que pesa sobre qualquer discurso de eficiência administrativa. Nos sete exercícios analisados, há manifestação técnica pela desaprovação das contas. Em seis deles (2018 a 2023), tanto a unidade técnica do Tribunal de Contas do Estado quanto o Ministério Público de Contas defenderam a emissão de parecer prévio desfavorável. No exercício de 2024, a unidade técnica também recomendou a desaprovação, enquanto o parecer do Ministério Público de Contas ainda aguarda conclusão.
É importante registrar que pareceres técnicos não equivalem, por si só, a uma condenação definitiva. O devido processo segue seu curso, com possibilidade de defesa e apreciação pelos órgãos competentes. Mas também seria um erro minimizar o significado institucional dessas manifestações. Quando os órgãos responsáveis pelo controle externo convergem repetidamente para a desaprovação das contas de uma gestão, forma-se um passivo político que não desaparece com discursos de campanha.
Quem pretende governar um estado precisa convencer a população de que sabe administrar recursos públicos, respeitar limites fiscais e cumprir as normas que regem a administração. É justamente por isso que a prestação de contas ocupa papel central na democracia: ela mede não apenas o que foi prometido, mas como o dinheiro público foi efetivamente administrado.
Álvaro Dias chega ao debate estadual carregando esse histórico. Seus adversários certamente explorarão o tema. Mas, mais importante que a disputa eleitoral, é o direito do eleitor de conhecer integralmente o currículo administrativo de quem pretende ocupar o principal cargo do Executivo potiguar.
Em política, narrativas são importantes. Porém, fatos documentados costumam falar mais alto. E, até aqui, os processos públicos do Tribunal de Contas apresentam um cenário desconfortável para o ex-prefeito: sete exercícios analisados e sete manifestações técnicas desfavoráveis.
Se esse placar será confirmado nas instâncias competentes ou alterado pelo andamento dos processos é uma questão jurídica. Mas, no campo político, dificilmente deixará de influenciar o debate sobre a capacidade de gestão de quem pretende voltar às urnas como candidato ao Governo do Estado.
Confira, na íntegra, a análise do colunista Clauber Beserra:
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