Parte da imprensa vem tratando a nominata do União Brasil para deputado federal como uma grande crise para Allyson Bezerra. No entanto, eu faço uma análise diferente: não se trata de uma fragilidade, mas sim de um “conflito positivo”.
O que o União Brasil tem em mãos é o que qualquer partido deseja: um problema bom para administrar. A legenda conseguiu reunir um bom time de puxadores de votos.
Vamos aos fatos:
O trio parada dura: Robinson Faria, Benes Leocádio e João Maia. Três deputados federais de mandato, com bases consolidadas em todas as regiões do estado, que já demonstraram votações expressivas no último pleito e que entram na disputa com o potencial real de romper, cada um, a barreira dos 100 mil votos.
O fator Kelps Lima: O ex-deputado Kelps entra no jogo com uma grande bagagem. Na última eleição para a Câmara, ele figurou entre os mais votados do estado com cerca de 80 mil votos, ficando de fora apenas pelo detalhe matemático do quociente eleitoral. De lá para cá, Kelps dobrou de tamanho político, garantindo apoios estratégicos em colégios eleitorais fundamentais como Parnamirim, Mossoró e vários outros municípios. A expectativa é que ele também ultrapasse a marca dos 100 mil votos.
Faça as contas de forma rápida: apenas esses quatro nomes, somados, têm a capacidade real de arrastar mais de 400 mil votos para a legenda.
Uma nominata desse calibre garante que o União Brasil seja hoje um dos partidos mais fortes e competitivos do para a disputa federal, pavimentando o caminho para conquistar três cadeiras na Câmara dos Deputados.
Como se não bastasse o peso desses candidatos,a nominata ainda conta com a presença do vereador de Natal, Matheus Faustino. Com uma força orgânica nas redes sociais, Faustino representa um eleitorado ideológico e conectado que gera um voto espontâneo impossível de mensurar de antemão, mas que certamente trará uma votação expressiva para encorpar o quociente do partido.
Agora me responda: qual líder político não gostaria de ter a “dor de cabeça” de Allyson de gerenciar um partido com esse nível de competitividade?
A suposta crise é, na verdade, a certeza de que Allyson e a cúpula do União Brasil souberam construir um partido grande. Gerenciar vaidades e conflitos internos em uma nominata de candidatos fortes é o preço que se paga por essa construção.


