(Foto: Reprodução/Redes sociais)

O submundo da política potiguar ganhou mais um capítulo dramático.

O atentado contra o vereador Cabo Deyvison transformou o drama real em espetáculo digital. O crime, gravado em uma transmissão ao vivo, virou o ponto de partida para uma agressiva estratégia de imagem. Direto do hospital, entre vídeos nas redes, visitas políticas e entrevistas, o leito virou estúdio.

E o algoritmo respondeu rápido: poucas horas após o crime, o vereador tinha 202 mil seguidores no Instagram. Apenas 24 horas depois, já passava de 306 mil. Foram mais de 100 mil novos seguidores em um único dia. Na linguagem da internet, Cabo Deyvison “viralizou” usando a estética do herói ferido.

Deyvison cresce porque ativa o arquétipo perfeito para o eleitorado de direita: o combatente corajoso que enfrenta o crime organizado e o sistema, e que avisa que “não vai recuar”.

Filme repetido

Esse roteiro não é novo; é o mesmo hype que elegeu Wendel Lagartixa, que também sofreu um atentado filmado e se tornou o deputado mais votado da história do RN. O detalhe é o “pós-créditos”: Lagartixa sequer chegou a assumir o mandato, teve a votação anulada e, hoje, está preso e silenciado na Bahia.

A pergunta agora nos bastidores da política potiguar é inevitável: Cabo Deyvison repetirá o fenômeno de Lagartixa? E mais importante: qual será o real efeito disso nas urnas?