A adesão do presidente da Assembleia à pré-campanha de Alvaro Dias redesenha o cenário político, mas o partido segue dividido e o rompimento com o governo Fátima está longe de ser completo.

A oficialização do apoio do presidente da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, Ezequiel Ferreira (PSDB), à pré-campanha do ex-prefeito de Natal, Alvaro Dias (PL), é um dos movimentos políticos mais relevantes da disputa pelo Governo do Estado. A decisão fortalece o projeto da oposição e coloca um dos principais articuladores da política potiguar em um novo campo.

Mas o rompimento com o grupo da governadora Fátima Bezerra (PT) está longe de representar uma ruptura total.

O próprio Ezequiel tratou de classificar a separação como um “divórcio amigável”. Garantiu que continuará assegurando a governabilidade da gestão petista nas matérias de interesse do Executivo que tramitarem na Assembleia Legislativa. O discurso busca preservar a relação institucional entre os Poderes, mas também encontra explicação na composição política construída ao longo dos últimos anos.

Afinal, aliados de Ezequiel continuam ocupando espaços importantes na administração estadual. Atualmente, quatro secretários ligados ao grupo político do presidente da Assembleia permanecem na estrutura do governo. Isso ajuda a entender por que a mudança de palanque não foi acompanhada de um rompimento administrativo.

Outro aspecto que merece atenção é a situação do PSDB. Embora Ezequiel caminhe ao lado de Alvaro Dias, o partido não desembarca de forma unificada na pré-campanha do ex-prefeito de Natal.

Os prefeitos Dr. Tiago, de Parelhas, e Dr. Lula, de Assú, por exemplo, permanecem alinhados ao projeto governista e apoiam a pré-candidatura de Cadu Xavier. Em outra direção, o prefeito de Pedro Velho, Júnior Balada, tem demonstrado preferência pelo projeto político do ex-prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra.

Esse quadro revela que o movimento de Ezequiel é, antes de tudo, uma decisão de sua liderança política, mas não significa, necessariamente, a migração automática de todo o PSDB para o mesmo palanque.

Na prática, o cenário reforça uma característica recorrente da política potiguar: partidos cada vez menos homogêneos e lideranças municipais com maior autonomia para definir seus próprios caminhos eleitorais.

O tabuleiro está posto. As peças começam a ocupar novas posições, mas a partida ainda está longe do xeque-mate. Até as convenções partidárias, outras movimentações devem ocorrer, e novos realinhamentos poderão alterar, mais uma vez, o desenho da sucessão estadual.

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