Prefeitura de Paulinho Freire prevê gastar até R$ 20 milhões com publicidade oficial. O valor será dividido entre cinco agências e o contrato poderá durar até dez anos. A pergunta é inevitável: essa é mesmo a prioridade da cidade?
Toda gestão pública precisa prestar contas à população. Informar sobre campanhas de vacinação, serviços municipais, obras e ações de interesse coletivo faz parte do dever constitucional da administração pública. Comunicação institucional é necessária. O que precisa ser discutido é quando a propaganda passa a consumir recursos que poderiam estar transformando a realidade da cidade.
É exatamente esse debate que Natal precisa fazer.
A Prefeitura do Natal, comandada pelo prefeito Paulinho Freire (PL), lançou uma licitação que prevê gastos de até R$ 20 milhões com publicidade institucional. O valor será dividido entre cinco agências de propaganda. Mais do que isso, o edital prevê que os contratos poderão ser renovados sucessivamente, permitindo que a contratação alcance até dez anos de duração.
Em outras palavras, trata-se de uma das maiores estruturas de comunicação já contratadas pelo Município, justamente num momento em que Natal ainda convive com problemas antigos que continuam sem solução.
O exemplo mais emblemático talvez seja o Hospital Municipal. Inaugurado oficialmente em 2024, o equipamento permanece fechado para a população. A placa foi entregue. Os discursos foram feitos. As fotografias foram registradas. Mas quem precisa de atendimento continua esperando que o hospital cumpra a função para a qual foi construído.
Na mobilidade urbana, a situação também incomoda. Depois de anos de intervenções e transtornos, as obras da Avenida Jerônimo Câmara seguem sem a prioridade que a população esperava. Motoristas enfrentam congestionamentos, comerciantes acumulam prejuízos e moradores convivem diariamente com uma obra que parece caminhar em ritmo incompatível com a urgência da cidade.
Como se não bastasse, até mesmo artistas e bandas contratados para eventos promovidos pela Prefeitura precisaram recorrer ao Poder Judiciário para conseguir uma data para o recebimento de cachês pendentes. Quando fornecedores precisam buscar a Justiça para receber por serviços já executados, algo claramente não funciona como deveria na gestão dos recursos públicos.
É justamente por isso que a licitação milionária para publicidade desperta tantos questionamentos.
Ninguém é contra informar a população. Muito pelo contrário. A comunicação pública é uma ferramenta importante de transparência. O problema começa quando a divulgação das ações parece receber mais atenção do que as próprias ações.
Confira na íntegra o cometário do Colunista, Clauber Beserra:
Ver essa foto no Instagram
A melhor campanha institucional nunca foi produzida por uma agência de publicidade.
Ela acontece quando uma obra é entregue no prazo.
Quando um hospital abre as portas.
Quando uma escola funciona plenamente.
Quando uma rua deixa de alagar.
Quando um artista recebe pelo trabalho realizado sem precisar recorrer aos tribunais.
Quando a população percebe, no dia a dia, que os impostos estão retornando em serviços de qualidade.
Não existe peça publicitária capaz de substituir resultados concretos.