Ex-secretário da Fazenda aposta na experiência para defender a reorganização das contas do RN, mas terá de explicar por que os problemas que promete enfrentar persistem após sua passagem pelo governo.

Cadu Xavier apresenta a experiência na Fazenda como uma de suas principais credenciais para governar o Rio Grande do Norte. Mas essa mesma experiência produz uma pergunta inevitável: se conhece tão bem os problemas e sabe como resolvê-los, por que não conseguiu fazê-lo quando estava no comando das finanças estaduais?

Os números dão peso à cobrança.

No primeiro quadrimestre de 2026, a despesa com pessoal do Executivo chegou a 56,12% da Receita Corrente Líquida Ajustada, acima do limite de 49% estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal.

Houve uma pequena melhora em relação aos 56,41% registrados no fim de 2025. Mas o essencial permanece: o Estado continua acima do limite legal.

Agora, Cadu defende justamente o controle da folha como caminho para recuperar a capacidade de investimento do RN.

A contradição está posta: onde estava essa solução quando ele comandava a Fazenda?

A Previdência acrescenta outra conta. O sistema estadual encerrou 2025 com déficit superior a R$ 2 bilhões, pressionando ainda mais o Tesouro.

Cadu conhece esses problemas por dentro. Não é um candidato que chega de fora para criticar uma situação que encontrou. Ele participou da administração que conduziu as contas estaduais.

É legítimo argumentar que um secretário não governa sozinho e que os problemas fiscais do RN são antigos e complexos. Mas também não é possível transformar experiência em credencial eleitoral sem aceitar a responsabilidade política que acompanha essa experiência.

Cadu quer convencer o eleitor de que sabe o que precisa ser feito.

Então precisa responder a uma pergunta simples, direta e incômoda:

se sabia o caminho, por que não conseguiu percorrê-lo quando teve a oportunidade?