A tentativa de limitar a presença digital de um adversário pode produzir o efeito contrário: transformar perseguição em combustível eleitoral.
As convenções partidárias mal terminaram e a disputa pelo Governo do Rio Grande do Norte já começou em alta temperatura. Antes mesmo de o debate sobre propostas ganhar corpo, a arena política passou a ser ocupada por ações judiciais e pela guerra travada nas redes sociais.
A ação movida pelo Partido Novo, integrante da coligação de Álvaro Dias, buscando a suspensão das redes sociais de Allyson Bezerra, provocou forte repercussão política. Para seus apoiadores, trata-se de uma medida jurídica legítima. Já para adversários, a iniciativa revela a preocupação em conter justamente o principal ativo do ex-prefeito de Mossoró: sua comunicação direta com o eleitor.
Afinal, em tempos de campanha digital, limitar a presença de um candidato nas redes significa reduzir seu alcance, seu engajamento e sua capacidade de dialogar com milhares de eleitores diariamente. Não por acaso, Allyson lidera a maioria das pesquisas divulgadas até aqui.
Outro aspecto que chamou atenção foi a estratégia política adotada. A ação não foi protocolada pelo PL, partido de Álvaro Dias, mas pelo Novo, legenda que integra sua coligação. Depois, parte da imprensa repercutiu declarações de que Álvaro não teria sido o autor da iniciativa. Politicamente, porém, essa distinção dificilmente convence quem acompanha os bastidores da campanha. Quando partidos caminham na mesma coligação, é natural que suas ações sejam percebidas pela opinião pública como parte de uma mesma estratégia eleitoral.
Também surgem interpretações de que um eventual enfraquecimento de Allyson Bezerra poderia favorecer uma disputa mais polarizada entre os campos representados pelo PL e pelo PT, reeditando no Rio Grande do Norte o embate nacional que marcou as últimas eleições presidenciais. Essa é uma leitura política presente no debate público, não um fato comprovado.
Se essa era a estratégia, ela pode acabar produzindo exatamente o efeito inverso. A história da política mostra que, muitas vezes, quando um candidato é percebido como alvo de ataques excessivos, cresce entre os eleitores um sentimento de solidariedade capaz de fortalecer sua candidatura.
No caso de Allyson Bezerra, a impressão que fica é resumida em um velho ditado popular: sua campanha parece massa de bolo. Quanto mais bate, mais cresce.
E talvez esteja justamente aí a maior lição desta largada eleitoral: quem aposta apenas em enfraquecer o adversário pode acabar fortalecendo aquilo que pretendia combater. No fim das contas, não será uma ação judicial nem uma disputa narrativa que definirá o resultado das urnas. A palavra final continuará pertencendo ao eleitor.
Confira a análise do colunista Clauber Beserra:
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