Como o candidato do governo mais desgastado do Estado aparece na liderança sem que nada tenha mudado?
A pesquisa AtlasIntel produziu um terremoto político no Rio Grande do Norte. Pela primeira vez, o candidato do governo Fátima Bezerra, Cadu Xavier, aparece na liderança da corrida pelo Governo do Estado. O levantamento rompe com a tendência apresentada pelos demais institutos e desperta uma pergunta inevitável: o que a Atlas captou que ninguém mais conseguiu enxergar?
Porque, convenhamos, nenhum fato novo aconteceu.
Não houve uma obra transformadora inaugurada. Não houve uma revolução administrativa. Não houve uma mudança capaz de alterar, de uma hora para outra, a percepção do eleitor sobre um governo que chega ao fim do segundo mandato carregando um pesado passivo administrativo.
Cadu Xavier tenta se vender como novidade. Mas novidade de quê?
Ele foi secretário da Fazenda durante o governo Fátima Bezerra. Foi um dos principais formuladores da política fiscal da gestão e, portanto, não pode pedir ao eleitor que separe o candidato do governo que ajudou a administrar.
É o candidato de um governo que encerra oito anos sem entregar o Hospital Metropolitano prometido — cuja construção só começou em 2026 —, após sucessivos atrasos.
É o candidato de um governo que prometeu fortalecer a rede de saúde, mas ainda convive com cobranças pela demora na ampliação da infraestrutura hospitalar e de serviços especializados.
É o candidato de uma administração frequentemente criticada pela baixa capacidade de investimento, pelas dificuldades fiscais e pelo comprometimento elevado das receitas com despesas obrigatórias.
Em resumo: Cadu não representa uma ruptura. Representa a continuidade.
E é justamente por isso que a pesquisa causa tanta estranheza. Como o principal fiador de um governo tão desgastado aparece, de repente, à frente de adversários que, até agora, lideravam ou disputavam tecnicamente a ponta em praticamente todos os levantamentos?
A AtlasIntel pode estar enxergando um movimento silencioso do eleitorado que os demais institutos ainda não captaram. Isso acontece e faz parte do jogo democrático.
Mas existe outra hipótese, igualmente legítima: a de que esta fotografia seja um ponto fora da curva e que as urnas recolocarão a disputa nos trilhos apontados pelas demais pesquisas.
Até outubro, alguém estará errado.
Ou os outros institutos não conseguiram ouvir o eleitor potiguar.
Ou a Atlas encontrou um Rio Grande do Norte que, até aqui, só ela conseguiu ver.
Confira a análise na íntegra:
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