Ao menos 13 presos que fugiram do sistema prisional do Rio Grande do Norte em 2026 permaneciam foragidos na última atualização consolidada disponível. O número é resultado de uma sequência de sete episódios de fuga registrados entre maio e setembro, envolvendo 27 detentos. Desse total, 14 foram recapturados, enquanto outros 13 continuavam sem ser localizados.
Os números colocam novamente sob questionamento a estrutura de segurança das unidades prisionais do Estado e a capacidade do Governo do Rio Grande do Norte de impedir fugas e manter sob custódia pessoas que deveriam estar submetidas ao sistema penitenciário.
A situação é especialmente significativa porque não se trata de um episódio isolado. Em cinco meses, diferentes unidades registraram fugas, envolvendo desde a Penitenciária Estadual de Alcaçuz, em Nísia Floresta, até estabelecimentos em Mossoró e Nova Cruz.
Uma sequência de fugas em poucos meses
A série começou em 2 de maio, quando cinco presos escaparam da Penitenciária Estadual de Alcaçuz. Segundo informações divulgadas na época pela Secretaria de Estado da Administração Penitenciária (Seap), os detentos estavam na área de triagem do Pavilhão 1 e conseguiram fugir após danificarem a cela.
O episódio chamou atenção por representar a primeira fuga registrada em Alcaçuz desde julho de 2021, segundo a própria Seap à época.
Nos meses seguintes, outras unidades passaram a registrar ocorrências semelhantes. Um levantamento contabilizou sete episódios e 27 fugitivos entre maio e setembro, distribuídos por unidades de Nísia Floresta, Mossoró e Nova Cruz.
A situação chegou novamente a Alcaçuz no fim de julho, quando 11 presos fugiram da unidade Rogério Coutinho Madruga que fica no complexo. Parte deles foi localizada posteriormente, mas o episódio deixou um número expressivo de detentos em liberdade.
Já em setembro, a Cadeia Pública de Nova Cruz também foi palco de uma fuga. Sete internos escaparam durante o banho de sol. Um deles foi capturado enquanto pulava a muralha e outro acabou recapturado posteriormente, mas outros cinco permaneciam foragidos naquele momento. O sistema de videomonitoramento identificou a fuga.
O problema não termina na fuga
O dado mais preocupante não é apenas a quantidade de presos que conseguiram escapar. É o número daqueles que ainda não foram encontrados.
Dos 27 detentos que fugiram nos sete episódios contabilizados até setembro, somente 14 haviam sido recapturados. Isso significa que praticamente metade do grupo continuava fora do sistema prisional na última atualização consolidada.
São pessoas que deveriam estar sob custódia do Estado e que, depois das fugas, passaram a ser procuradas pelas forças de segurança.
A responsabilidade pela administração penitenciária é do Governo do Estado, por meio da Seap. Por isso, a sequência de ocorrências inevitavelmente provoca questionamentos sobre as condições de segurança das unidades, o efetivo disponível, a vigilância das estruturas e a capacidade de resposta diante de vulnerabilidades.
Governo Fátima precisa explicar
O Governo Fátima Bezerra administra o Estado desde 2019 e, portanto, tem responsabilidade política pela estrutura penitenciária existente atualmente.
Isso não significa atribuir à governadora responsabilidade pessoal por cada fuga ou presumir que uma falha específica tenha sido causada diretamente por uma decisão dela. Mas a repetição de episódios em diferentes unidades permite uma cobrança legítima sobre a gestão do sistema.
Por que 27 presos conseguiram escapar em apenas cinco meses?
Quais falhas estruturais permitiram as fugas?
O Estado tinha efetivo suficiente para garantir a segurança das unidades?
Quantos dos presos que escaparam ainda permanecem em liberdade?
E, principalmente, o que foi efetivamente corrigido depois de cada fuga para impedir que o episódio se repetisse?
Essas são perguntas que ultrapassam a situação individual de cada detento e alcançam diretamente a capacidade administrativa do governo de manter sob controle o sistema prisional.
Segurança penitenciária também é segurança pública
Um preso que consegue escapar de uma unidade estadual não deixa simplesmente de cumprir sua pena. Ele passa a estar novamente nas ruas sem o controle do sistema penitenciário.
Por isso, cada fuga produz uma consequência que vai além dos muros das penitenciárias. As forças policiais precisam ser mobilizadas para localizar os fugitivos, enquanto a população pode ficar exposta à circulação de pessoas que deveriam estar custodiadas pelo Estado.
A dimensão do problema fica ainda mais evidente quando se observa que, em alguns episódios, as recapturas ocorreram somente depois de operações de busca realizadas por policiais militares, policiais penais e outras forças de segurança.
A sucessão de episódios levanta dúvidas sobre a gestão
A administração penitenciária exige planejamento, estrutura física, efetivo, equipamentos de vigilância e protocolos capazes de impedir que vulnerabilidades sejam exploradas pelos detentos.
Quando uma fuga acontece, é esperado que o governo identifique suas causas e corrija os problemas. Quando várias ocorrências se sucedem em diferentes unidades, entretanto, a discussão passa a ser mais ampla.
O cidadão potiguar tem o direito de perguntar se o Estado está conseguindo administrar adequadamente seu sistema prisional.
No caso do Rio Grande do Norte, a sequência registrada em 2026 deixa uma pergunta incômoda para o Governo Fátima Bezerra: se o Estado não consegue manter sob custódia parte dos presos que estão dentro de suas próprias unidades, como pretende convencer a população de que possui uma política penitenciária eficiente?
A questão ganha ainda mais peso no momento em que o grupo político da governadora busca apresentar Cadu Xavier como candidato à continuidade do projeto do PT no Estado.



