Foto: reprodução

O atraso no pagamento de médicos que atuam nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) dos hospitais regionais Tarcísio Maia, em Mossoró, e Nelson Inácio dos Santos, em Assú, ameaça comprometer o atendimento a pacientes no interior do Rio Grande do Norte. Diante da falta de uma previsão concreta para receber os valores pendentes, os profissionais aprovaram discutir a restrição dos atendimentos em assembleia marcada para esta terça-feira (13), às 17h.

A situação amplia a pressão sobre o governo da governadora Fátima Bezerra (PT), responsável pela administração da rede estadual de saúde. Os médicos cobram os pagamentos referentes a maio e relatam atrasos recorrentes. O impasse também levanta questionamentos sobre a capacidade do Estado de manter os serviços essenciais funcionando sem interrupções.

Segundo o Sindicato dos Médicos do Rio Grande do Norte (Sinmed-RN), a categoria já havia se mobilizado em setembro para cobrar os valores referentes a março e abril. Naquele momento, após a intervenção do sindicato, os débitos foram quitados ainda no mesmo mês. O pagamento de maio, porém, continuava pendente até a nova mobilização.

No último sábado (10), o Sinmed-RN reuniu médicos das duas unidades para discutir o problema. O sindicato havia encaminhado ofícios à Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap), à empresa SAMA, responsável pela contratação dos profissionais, e aos hospitais, estabelecendo 9 de outubro como prazo para a regularização. Como os valores não foram recebidos dentro do período estipulado, a entidade anunciou uma nova cobrança formal.

Governo diz que pagamento foi comunicado à empresa, mas não apresenta data para o recebimento

Em nota, a Sesap afirmou que o Governo do Estado está cumprindo o acordo firmado com a SAMA e informou que o pagamento referente ao mês em questão já foi formalmente comunicado à empresa, com o envio dos respectivos comprovantes.

A Secretaria também declarou que não existe bloqueio judicial relacionado aos pagamentos e que os procedimentos administrativos para a efetivação dos repasses continuam em tramitação.

Apesar da manifestação, a nota não informa uma data para que os médicos recebam efetivamente os valores atrasados. A diferença entre comunicar o pagamento à empresa contratada e garantir que os profissionais tenham o dinheiro disponível mantém a principal dúvida da categoria.

O governo afirmou ainda que trabalha para assegurar a continuidade da assistência à população e reiterou o compromisso com o diálogo e o cumprimento dos acordos.

O episódio coloca a gestão estadual diante de um questionamento que ultrapassa a disputa sindical: como garantir a regularidade dos serviços de saúde quando médicos que atuam em setores críticos precisam voltar a cobrar pagamentos atrasados?

Continuidade do PT ?

A questão ganha dimensão política no momento em que Cadu Xavier (PT), candidato apoiado por Fátima Bezerra, disputa o Governo do Estado defendendo a continuidade do projeto político da atual administração. A situação nas UTIs de Mossoró e Assú exige respostas sobre os mecanismos que serão adotados para evitar novos atrasos e impedir que conflitos financeiros afetem o atendimento hospitalar.

Não se trata apenas de uma pendência administrativa. As UTIs atendem pacientes que precisam de acompanhamento intensivo, e uma eventual restrição de serviços pode aumentar a pressão sobre a rede pública e dificultar a assistência no interior.

A assembleia marcada para esta terça-feira será decisiva para definir os próximos passos dos médicos. Caso a restrição seja aprovada, a população poderá enfrentar consequências de um impasse que, até o momento, não tem data de resolução informada pela Secretaria.

Diante desse cenário, fica a pergunta para o governo Fátima Bezerra e para seu candidato à sucessão: a continuidade do PT no Rio Grande do Norte será capaz de garantir pagamentos em dia aos profissionais e estabilidade aos serviços de saúde, ou os mesmos problemas continuarão recaindo sobre médicos e pacientes?

Compartilhe esse conteúdo: