A Polícia Federal decidiu arquivar a apuração preliminar que verificava uma possível interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras de 2026. O procedimento foi encerrado na quarta-feira (7), após a Diretoria de Inteligência da corporação analisar uma representação encaminhada pela Advocacia-Geral da União (AGU).
A análise não chegou a resultar na abertura formal de um inquérito. Segundo informações divulgadas sobre o caso, a PF não identificou elementos mínimos de ilícito que justificassem o avanço da investigação ou indicassem atuação do governo do presidente Donald Trump no processo eleitoral brasileiro.
A apuração havia sido anunciada pelo diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, no domingo (4), dia do primeiro turno das eleições. Na ocasião, ele informou que a representação da AGU havia sido encaminhada à área de inteligência para uma análise inicial e ressaltou que ainda não havia portaria instaurando um inquérito policial.
A iniciativa da AGU ocorreu depois de uma reportagem do jornal britânico The Guardian sobre um programa do Departamento de Estado dos Estados Unidos que previa recursos para organizações brasileiras críticas a decisões do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo as informações divulgadas na época, a iniciativa relacionada ao Brasil receberia cerca de R$ 5 milhões.
O financiamento fazia parte de um pacote internacional de aproximadamente US$ 175 milhões destinado a projetos ligados a direitos humanos e democracia em diferentes países. A reportagem também citou outras iniciativas contempladas pelo programa norte-americano.
Ao encaminhar o pedido à PF, a AGU sustentou que, caso fossem comprovados recursos estrangeiros destinados à promoção de ataques contra instituições brasileiras, seria necessário identificar os responsáveis e avaliar eventual responsabilidade penal. A representação, entretanto, não resultou na abertura de um inquérito formal pela Polícia Federal.



