O Rio Grande do Norte aparece entre os estados com menor eficiência na segunda edição do Ranking de Eficiência dos Estados – Folha (REE-F), elaborado pela Folha de S.Paulo em parceria com o Datafolha. O estado ficou na 20ª posição entre as 26 unidades federativas analisadas, com índice geral de 0,303, e terminou na penúltima colocação entre os estados nordestinos, à frente apenas da Bahia.
O resultado coloca o RN na faixa considerada “ineficiente” pelo levantamento, destinada aos estados com índice inferior a 0,350. O ranking mede a capacidade dos governos estaduais de transformar a receita disponível por habitante em resultados para a população em cinco áreas: educação, saúde, infraestrutura, segurança pública e finanças.
Educação e saúde têm peso dobrado no cálculo do índice geral.
Entre os cinco componentes avaliados, o pior desempenho potiguar foi justamente na educação. O RN alcançou índice de 0,272, ficando na 25ª posição nacional, à frente somente da Bahia.
O indicador considera frequência escolar, acesso ao ensino superior, abandono no ensino médio da rede estadual e desempenho dos estudantes em língua portuguesa e matemática no Saeb. Os dados utilizados, porém, não são exclusivamente de 2026: o levantamento combina informações de 2022 e 2024.
Saúde apresenta resultado melhor
Na saúde, o desempenho do estado foi significativamente superior ao registrado na educação. O RN alcançou 0,538 e ficou na 12ª colocação nacional.
O componente considera indicadores como cobertura da atenção primária, quantidade de médicos por mil habitantes, mortalidade infantil e número de leitos de internação do SUS. Os dados são referentes principalmente a 2024, com a quantidade de leitos calculada a partir de informações de dezembro de 2025.
Apesar do resultado na área da saúde, o desempenho geral do estado é puxado para baixo pelos indicadores de educação, infraestrutura e segurança.
Segurança e infraestrutura também deixam RN na 20ª posição
O Rio Grande do Norte ocupou a 20ª posição nacional tanto em infraestrutura quanto em segurança pública.
Na infraestrutura, o índice foi de 0,388. O levantamento considera, entre outros fatores, o acesso a redes de água e esgoto e as condições das rodovias.
Na Pesquisa CNT de Rodovias de 2025, foram avaliados 1.883 quilômetros no estado. Nenhum trecho recebeu classificação “ótimo”. Outros 391 quilômetros foram considerados bons, enquanto 79,2% da extensão analisada foi classificada como regular, ruim ou péssima.
Na segurança pública, o RN obteve índice de 0,384. O cálculo considera a taxa de mortes violentas intencionais registrada em 2025.
Segundo os dados utilizados pelo ranking, o estado contabilizou 1.007 mortes violentas intencionais em 2025, com taxa de 29,1 mortes por 100 mil habitantes, acima dos 24,4 registrados em 2024.
Finanças são ponto positivo do ranking
O melhor desempenho do Rio Grande do Norte aparece no componente financeiro. O estado alcançou índice de 0,842, ficando na quarta posição nacional.
O indicador leva em consideração a relação entre despesas com pessoal e receita corrente líquida, além da dívida consolidada líquida.
O resultado financeiro, entretanto, não mede diretamente aspectos como capacidade de investimento, qualidade dos serviços públicos, insuficiência de caixa ou passivos previdenciários.
O próprio levantamento aponta que, no fim de 2025, a despesa total com pessoal do Poder Executivo correspondia a 56,41% da receita corrente líquida ajustada, acima do limite de 49% previsto pela Lei de Responsabilidade Fiscal.
RN fica atrás de quase todos os estados nordestinos
O desempenho potiguar também chama atenção no recorte regional. O Ceará teve o melhor resultado do Nordeste e apareceu na segunda posição nacional, enquanto Piauí e Paraíba ficaram em quinto e sexto lugares, respectivamente.
Pernambuco, Maranhão, Sergipe e Alagoas também ficaram à frente do Rio Grande do Norte.
A média dos estados nordestinos foi de 0,462, enquanto o RN registrou 0,303. A Bahia, última colocada da região, alcançou 0,301.
Na primeira edição do ranking, publicada em 2018, o Rio Grande do Norte ocupava a 23ª posição, com índice de 0,259. A comparação entre as duas edições, entretanto, precisa levar em conta que a metodologia, os indicadores e os pontos de corte foram modificados.
Resultado reúne dados de diferentes períodos
Embora o ranking tenha sido divulgado em 2026, os números não representam exclusivamente a situação atual do estado. O levantamento utiliza o dado mais recente disponível para cada indicador que permitisse a comparação entre todas as unidades federativas.
Assim, a avaliação reúne informações de 2022, 2024 e 2025, dependendo do componente analisado.
O resultado, portanto, funciona como um retrato de diferentes áreas da administração pública a partir de indicadores produzidos em períodos distintos. Ainda assim, o desempenho geral coloca o RN entre os estados classificados pelo estudo como menos eficientes na transformação dos recursos disponíveis em resultados para a população.



