A ministra Cármen Lúcia pediu desculpas ao povo brasileiro durante a sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) realizada nesta terça-feira (15). Em uma manifestação antes do encerramento dos trabalhos, ela afirmou que gostaria de ter contribuído para reduzir a tensão dentro da Corte, mas reconheceu que não conseguiu ajudar a “acalmar a crise”.
A fala ocorreu após o ministro Flávio Dino pedir vista do processo, o que interrompeu a análise do caso e deixou a retomada da discussão sem uma data definida. Cármen Lúcia explicou que normalmente não antecipa seu posicionamento em situações desse tipo, mas considerou necessário fazer uma manifestação diante do momento vivido pelo tribunal.
“Eu peço desculpa ao povo brasileiro por talvez ter esperado de mim uma postura diferente. Mas acho que todos nós aqui queríamos a mesma coisa, que era tentar resolver, e as questões não foram resolvidas e foram crescendo demais”, afirmou.
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A ministra também direcionou o pedido de desculpas ao presidente do STF e aos demais integrantes da Corte. Segundo ela, havia a intenção de contribuir para uma solução para o impasse, mas o esforço não teve o resultado esperado.
“Portanto, estou pedindo desculpas ao presidente do Supremo, a todos os colegas, mas ao povo brasileiro, porque realmente queria ter sido melhor e poder ter ajudado a acalmar as coisas e não consegui”, declarou.
Ministra lamenta desgaste institucional
Cármen Lúcia afirmou ainda que sua tristeza não estava relacionada apenas ao assunto discutido na sessão. Para ela, o episódio ocorre em meio a um período de forte desgaste institucional envolvendo o STF.
Segundo a ministra, a situação se agravou desde o início de setembro, após a retirada do sigilo de documentos produzidos pela Polícia Federal (PF) em investigações relacionadas a suspeitas de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master.
Entre os materiais divulgados estão registros de mensagens atribuídas ao empresário Daniel Vorcaro e ao ministro Alexandre de Moraes, abrangendo o período entre dezembro de 2023 e novembro de 2025. Vorcaro foi preso pela primeira vez em novembro do ano passado.
Durante a sessão, Cármen Lúcia afirmou estar profundamente consternada com o cenário e destacou o impacto que os recentes acontecimentos provocaram fora do tribunal.
“Eu me encontro, como talvez muitos de meus colegas, em estado de profunda consternação e tristeza. Hoje, um dos colegas me dizia se eu estava contrariada com alguma coisa. Não, eu disse: eu estou triste não apenas pelo tema que nos traz aqui, mas porque este Supremo Tribunal Federal, guardião da Constituição por determinação expressa dela, provocou um mal-estar cívico em todas as cidadãs e cidadãos brasileiros nesses últimos dias”, afirmou.
A manifestação da ministra ocorreu em uma sessão marcada por divergências entre os integrantes do Supremo. O pedido de vista de Flávio Dino suspendeu a discussão e adiou uma definição sobre os próximos passos do caso.



