O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cobrou do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, uma atuação para conter a crise interna na Corte. A declaração ocorreu nesta quarta-feira (16), um dia após uma sessão marcada por discussões e acusações entre ministros durante a análise de questões relacionadas ao caso Banco Master.
Em entrevista ao programa Desce a Letra Show, no YouTube, Lula afirmou que a população não pode permanecer acompanhando diariamente as acusações envolvendo integrantes do Supremo. Segundo o presidente, Fachin tem a responsabilidade de evitar que a crise interfira no processo eleitoral.
“O que não dá é para a sociedade ficar assistindo a esse denuncismo […], a sociedade atônita ouvindo isso todo santo dia. O presidente Fachin tem a responsabilidade de não permitir que isso atrapalhe o processo eleitoral”, declarou Lula.
A manifestação ocorre em um momento de disputa acirrada nas pesquisas para a Presidência da República. Levantamento da Quaest divulgado nesta semana mostrou Flávio Bolsonaro (PL) com 42% das intenções de voto contra 40% de Lula em um eventual segundo turno. Apesar da vantagem numérica do senador, o resultado está dentro da margem de erro de dois pontos percentuais e configura empate técnico. A pesquisa ouviu 2.004 eleitores entre 10 e 13 de setembro.
Lula também comentou as investigações envolvendo o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O presidente afirmou que a crise no STF é prejudicial às instituições e defendeu que as responsabilidades sejam apuradas. Durante a entrevista, ele classificou Vorcaro como “mafioso” e afirmou que o empresário teria envolvido diferentes pessoas no caso.
“Acho que o que está acontecendo na Suprema Corte não é uma coisa boa, porque significa que aquele mafioso chamado Vorcaro envolveu todo mundo”, disse Lula.
O presidente também afirmou que as investigações devem esclarecer as relações mantidas pelo empresário e por pessoas citadas nos documentos do caso. “É importante que apareça para a gente poder limpar este país. A Suprema Corte não pode ter a sua vida manchada”, acrescentou.
Crise no STF
A sessão do STF realizada na terça-feira (15) terminou sem uma definição sobre a eventual abertura de investigação envolvendo Alexandre de Moraes. O plenário discutia questões relacionadas às mensagens trocadas entre o ministro e Daniel Vorcaro, além dos desdobramentos do caso Banco Master.
Durante a sessão, os ministros divergiram sobre a possibilidade de analisar conjuntamente os casos envolvendo Moraes e André Mendonça. O placar ficou em 4 a 3 pela manutenção dos processos separados, mas o ministro Flávio Dino pediu vista e interrompeu a análise. Com isso, a discussão poderá ficar suspensa por até 90 dias.
A sessão foi marcada por embates entre integrantes da Corte, principalmente entre Gilmar Mendes e André Mendonça, além de críticas à condução dos processos. A indefinição também repercute sobre a sessão prevista para 23 de setembro, quando deverá ser analisada a situação de Mendonça no caso.



