O Portal da Transparência da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte (ALRN) confirma que 11 pessoas citadas pelo candidato ao Governo do Estado Allyson Bezerra (União Brasil) receberam, juntas, R$ 437.811,09 em remunerações brutas na folha de julho de 2026.
Os nomes foram apresentados por Allyson durante debate eleitoral realizado na quarta-feira (2), quando o candidato criticou o adversário Álvaro Dias (PL) e classificou o episódio como “trem da alegria”. Segundo a campanha, os beneficiários seriam familiares e antigos colaboradores ligados ao ex-prefeito de Natal.
O levantamento oficial mostra que os pagamentos líquidos aos 11 beneficiários somaram R$ 296.843,82, após descontos de R$ 140.967,27. O valor médio bruto foi de aproximadamente R$ 39,8 mil por pessoa.
Álvaro Dias aparece na relação com remuneração bruta de R$ 37.543,78.
Entre os demais nomes estão Humberto Costa Dias, com R$ 50.398,85; Anselmo Costa Dias, com R$ 45.131,22; Rosane Teixeira de Carvalho, com R$ 36.068,90; Sérgio Augusto Dias Florêncio, com R$ 43.995,51; e Noya Maria Dias Florêncio, com R$ 24.184,54.
Também constam Silvana Medeiros Gurgel Dias, com R$ 35.809,97; Leila Medeiros Brandão Florêncio, com R$ 43.836,61; Regina Maria de Araújo Dias, com R$ 36.068,90; Lúcio de Medeiros Dantas Júnior, com R$ 34.695,62; e Pacífico José Dantas Fernandes, com R$ 50.077,19.
Debate colocou pagamentos no centro da disputa
Durante o debate, Allyson afirmou que os pagamentos estariam relacionados a pessoas que teriam sido beneficiadas durante o período em que Álvaro Dias presidiu a Assembleia Legislativa, entre 1997 e 2003.
O candidato do União Brasil afirmou que as remunerações representariam aproximadamente meio milhão de reais por mês pagos pelos cofres públicos e utilizou a expressão “trem da alegria” para se referir ao caso.
Álvaro Dias contestou a acusação e afirmou que o processo mencionado está sendo investigado e que a situação será esclarecida.
Caso envolve antigas efetivações na Assembleia
A discussão eleitoral retomou ações ajuizadas pelo Ministério Público do Rio Grande do Norte em 2008 relacionadas à efetivação, sem concurso público, de cerca de 200 servidores da Assembleia Legislativa entre 1990 e 2002.
Parte das efetivações ocorreu durante o período em que Álvaro Dias presidiu a Casa. Em 2012, o Tribunal de Justiça do RN considerou os fatos prescritos. No ano seguinte, o Superior Tribunal de Justiça acolheu recurso do Ministério Público e afastou a prescrição. Os processos retornaram à Justiça potiguar.
A assessoria de Allyson afirma que 193 efetivações ocorreram durante a gestão de Álvaro na presidência da Assembleia.
Portal não aponta irregularidade nos pagamentos
Apesar de confirmar os valores apresentados no debate, o Portal da Transparência da Assembleia não classifica os pagamentos como irregulares e não estabelece relação de parentesco entre os beneficiários.
A folha consultada também não informa, isoladamente, a data de ingresso de cada pessoa na Assembleia, o ato que fundamentou as aposentadorias ou o histórico completo dos pagamentos.
Dessa forma, os dados confirmam os valores pagos em julho de 2026, mas não permitem, por si só, concluir que houve ilegalidade nos pagamentos ou favorecimento indevido.
O episódio deve continuar sendo explorado pelos candidatos durante a campanha eleitoral para o Governo do Rio Grande do Norte.



