Reprodução 98fm Natal

O Portal da Transparência da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte confirmou os valores apresentados durante o debate eleitoral que colocou em confronto os candidatos ao Governo do Estado. Na folha de julho de 2026, os 11 aposentados citados no debate receberam, juntos, R$ 437,8 mil em remunerações brutas.

Os nomes foram apresentados por Allyson Bezerra (União Brasil) ao questionar a trajetória de Álvaro Dias (PL) na Assembleia Legislativa. O candidato classificou o episódio como “trem da alegria” e afirmou que familiares e antigos auxiliares do ex-prefeito continuam recebendo recursos públicos.

O levantamento oficial da Assembleia confirma o montante financeiro apontado por Allyson, embora o Portal da Transparência não estabeleça qualquer relação de parentesco entre os beneficiários, tampouco classifique os pagamentos como irregulares.

Do total de R$ 437.811,09 registrados na folha, os valores líquidos somaram R$ 296.843,82, após descontos de R$ 140.967,27. A média bruta entre os 11 beneficiários foi de aproximadamente R$ 39,8 mil.

Álvaro aparece entre os beneficiários

O próprio Álvaro Dias consta na relação apresentada durante o debate. A remuneração bruta registrada para ele em julho foi de R$ 37.543,78.

Também aparecem Humberto Costa Dias, com R$ 50.398,85; Anselmo Costa Dias, com R$ 45.131,22; Rosane Teixeira de Carvalho, com R$ 36.068,90; Sérgio Augusto Dias Florêncio, com R$ 43.995,51; e Noya Maria Dias Florêncio, com R$ 24.184,54.

A lista inclui ainda Silvana Medeiros Gurgel Dias, que recebeu R$ 35.809,97; Leila Medeiros Brandão Florêncio, com R$ 43.836,61; Regina Maria de Araújo Dias, com R$ 36.068,90; Lúcio de Medeiros Dantas Júnior, com R$ 34.695,62; e Pacífico José Dantas Fernandes, com R$ 50.077,19.

Os valores registrados correspondem a uma única competência mensal. A consulta não permite afirmar quanto cada pessoa recebeu desde a concessão da aposentadoria ou qual foi o total acumulado ao longo dos anos.

Debate trouxe episódio antigo de volta

A discussão eleitoral resgatou um conjunto de nomeações realizadas na Assembleia Legislativa durante o período em que Álvaro Dias presidiu a Casa, entre 1997 e 2003.

Ações ajuizadas pelo Ministério Público do Rio Grande do Norte em 2008 questionaram a efetivação, sem concurso público, de cerca de 200 servidores da Assembleia entre 1990 e 2002. Parte dos casos envolvia ocupantes de cargos comissionados ou pessoas cedidas por prefeituras e outros órgãos públicos.

Em 2012, o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte considerou os fatos prescritos. No ano seguinte, porém, o Superior Tribunal de Justiça acolheu recurso do Ministério Público e afastou a prescrição, considerando que os atos haviam sido publicados no Boletim Legislativo, mas não no Diário Oficial.

Os processos retornaram à Justiça potiguar e, conforme as informações disponíveis, permaneceram sem desfecho definitivo.

A assessoria de Allyson afirma que 193 efetivações ocorreram durante o período em que Álvaro presidiu a Assembleia.

Álvaro afirma que caso será esclarecido

Durante o debate, Álvaro Dias respondeu à acusação afirmando que o processo mencionado por Allyson está sendo investigado e que a situação será esclarecida.

A confirmação dos valores pelo Portal da Transparência acrescenta um novo elemento ao embate eleitoral, mas não permite, isoladamente, concluir que os pagamentos sejam ilegais ou que os beneficiários tenham sido favorecidos de forma irregular.

A própria base de dados da Assembleia apresenta os nomes e as respectivas remunerações, mas não informa, na consulta utilizada, a data de ingresso de cada beneficiário, o ato que fundamentou as aposentadorias ou o histórico completo dos pagamentos.

Assim, o episódio permanece como uma das principais armas de confronto entre Allyson e Álvaro na disputa pelo Governo do RN, agora com a confirmação oficial de que os 11 nomes citados receberam, em julho, R$ 437,8 mil em valores brutos.

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