Bancários aprovam greve geral a partir de 2 de setembro no RN — SEEB/RN/Divulgação

Os bancários do Rio Grande do Norte decidiram iniciar uma greve por tempo indeterminado a partir da próxima quarta-feira (2). A aprovação ocorreu durante assembleia realizada na quinta-feira (27), com a presença de trabalhadores de Natal e participação virtual de profissionais que atuam no interior do Estado. A depender da adesão, o movimento poderá comprometer o atendimento presencial em agências de diferentes municípios.

A decisão foi comunicada pelos diretores do Sindicato dos Bancários do Rio Grande do Norte (Seeb/RN), Marcos Tinôco e Alexandre Cândido. A entidade também procurou sindicatos de outros estados para estimular uma mobilização conjunta. Por isso, apesar de a paralisação já estar aprovada no RN, uma eventual greve nacional dependerá das deliberações das demais bases sindicais.

A categoria potiguar defende uma ação coordenada em todo o país como forma de ampliar a pressão sobre a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban). O sindicato também cobra mudanças na estratégia adotada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) durante as negociações.

Segundo os representantes dos bancários, a falta de uma reação unificada pode diminuir a força dos trabalhadores nas discussões sobre as reivindicações econômicas. O sindicato afirmou que os resultados das assembleias realizadas no Rio Grande do Norte, Maranhão e Bauru demonstram a necessidade de uma resposta mais contundente à Fenaban e à Contraf-CUT.

A pauta nacional foi apresentada à Fenaban em 24 de junho. Entre os pedidos estão reposição da inflação com acréscimo de 5% de ganho real, elevação do piso salarial, reajuste superior nos valores de vale-alimentação e vale-refeição, aumento da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), preservação dos postos de trabalho e manutenção das cláusulas previstas na Convenção Coletiva de Trabalho.

Até o dia 25 de agosto, as negociações já haviam alcançado dez rodadas, sem consenso sobre os itens econômicos. De acordo com a Contraf-CUT, na reunião realizada em 24 de agosto, a Fenaban encerrou a nona mesa sem apresentar um percentual para reajuste dos salários e demais verbas. Uma proposta anterior, que previa correções diferentes conforme a faixa salarial e congelamento do piso de entrada, também foi rejeitada pelos representantes dos trabalhadores.

Durante as negociações, os bancos chegaram a apresentar índices abaixo da inflação acumulada, mas as ofertas não avançaram. O principal impasse continua relacionado ao percentual de reajuste dos salários, ao ganho real e à atualização dos benefícios.

A campanha salarial já havia resultado em uma paralisação nacional de 24 horas no último dia 20. Na ocasião, parte das agências de bancos públicos e privados teve o funcionamento afetado. Os canais digitais, como aplicativos, internet banking, Pix, caixas eletrônicos e outros serviços remotos, continuaram disponíveis, enquanto o atendimento presencial ficou condicionado à adesão dos funcionários em cada unidade.

O presidente do Sindicato dos Bancários do RN, Marcos Tinôco, afirmou que as reivindicações foram apresentadas há mais de dois meses e que, até aquele momento, a Fenaban não havia colocado na mesa uma proposta considerada satisfatória pela categoria. Para a direção sindical, a greve busca pressionar por mudanças antes da definição da nova convenção coletiva.

Como exemplo de que é possível avançar nas negociações, o sindicato cita o acordo firmado pelos funcionários do Banco do Estado do Pará (Banpará). O entendimento prevê, para 2026, reajuste pelo INPC somado a 1,83% de ganho real ou, caso seja mais vantajoso, o índice negociado pela Fenaban, com limite de 6% na correção total.

O acordo para 2027 estabelece o INPC ou o reajuste da Fenaban, prevalecendo o maior percentual, acrescido de 2% de ganho real. O anuênio terá aumento de 10% em cada ano de vigência do acordo, enquanto a PLR Social passará a representar 8% do lucro líquido do banco, um avanço de um ponto percentual.

A duração da paralisação no Rio Grande do Norte dependerá da adesão dos trabalhadores e da evolução das negociações. Novas propostas poderão fazer com que a categoria decida pela manutenção, suspensão ou encerramento da greve.

Até 2 de setembro, a orientação é de funcionamento normal das agências. Depois do início da paralisação, porém, a situação poderá ser diferente entre municípios, bancos e até unidades de uma mesma instituição, já que o impacto dependerá do número de funcionários que aderirem ao movimento.

Greve não interrompe automaticamente pagamentos

Mesmo com a paralisação, clientes continuam responsáveis pelo pagamento de boletos, parcelas de financiamentos, faturas de cartões, tributos e contas de consumo dentro dos prazos estabelecidos.

Durante o período de greve, a orientação é utilizar alternativas como aplicativos dos bancos, internet banking, caixas eletrônicos, correspondentes bancários e centrais de atendimento telefônico. Serviços digitais, incluindo Pix, transferências e pagamentos, devem continuar disponíveis, embora operações que dependam diretamente de funcionários possam sofrer atrasos.

Também podem ser afetados serviços que exigem atendimento presencial, como renegociação de contratos, liberação de crédito, atualização cadastral, questões relacionadas a inventários, bloqueios judiciais, procurações e resolução de problemas específicos em contas bancárias.

Clientes que necessitam comparecer às agências devem verificar previamente o funcionamento da unidade e, sempre que possível, antecipar operações. Também é recomendável guardar protocolos, comprovantes e registros de eventuais tentativas de atendimento ou pagamento.

A paralisação não significa que todas as agências do Estado necessariamente serão fechadas. O impacto real do movimento só poderá ser conhecido após o início da greve, conforme a adesão dos funcionários e os balanços divulgados pelo sindicato e pelas instituições financeiras.

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