O Rio Grande do Norte terminou o primeiro semestre de 2026 com o menor percentual de investimento em saúde entre todos os estados brasileiros. De acordo com relatório técnico do Laboratório de Orçamento e Políticas Públicas (LOPP), do Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN), o Estado destinou apenas 7,04% das receitas provenientes de impostos e transferências para ações e serviços públicos de saúde até junho.
O resultado coloca a gestão da governadora Fátima Bezerra (PT) diante de mais um indicador preocupante na área da saúde. O percentual potiguar ficou 3,5 pontos percentuais abaixo do Rio Grande do Sul, que aparece na penúltima posição do levantamento, com 10,54% de aplicação no período.
A situação fica ainda mais difícil de justificar quando o RN é comparado aos próprios vizinhos nordestinos. Enquanto o Estado aplicou 7,04% até o terceiro bimestre, todos os demais estados da região já haviam ultrapassado os 13% de recursos destinados à saúde.
Ceará e Piauí, por exemplo, começaram o ano com percentuais inferiores a 9%, mas avançaram para 14,50% e 14,01%, respectivamente. O RN, por outro lado, teve uma evolução bastante tímida durante os seis primeiros meses.
Aplicação avança pouco durante o ano
Os números mostram que o percentual aplicado pelo Governo do Estado passou de 6,37% no primeiro bimestre para 6,62% no segundo e chegou a apenas 7,04% no terceiro. Em seis meses, portanto, a evolução foi de somente 0,67 ponto percentual.
O relatório do LOPP faz um alerta ainda mais contundente: caso o ritmo observado no primeiro semestre seja mantido, o Rio Grande do Norte terá dificuldades para alcançar o mínimo constitucional de 12% até o encerramento do ano.
O documento classifica o desempenho potiguar como uma “anomalia administrativa e orçamentária específica do ente”, que colocou o Estado na última posição do ranking nacional de priorização da saúde pública.
A avaliação do Ministério Público chama atenção justamente porque o problema não aparece como uma dificuldade generalizada entre os estados. O RN destoa negativamente do restante do país e, principalmente, do Nordeste.
Governo diz que percentual está dentro do cronograma
O secretário estadual de Saúde Pública, Alexandre Motta, afirmou que o percentual de aplicação dos recursos próprios está dentro do cronograma orçamentário previsto pela gestão.
A justificativa, porém, não elimina o peso do resultado: enquanto o Governo Fátima sustenta que a execução está dentro do planejamento, o levantamento do próprio Ministério Público aponta o RN como o Estado que menos investiu proporcionalmente em saúde no primeiro semestre.
O dado ganha ainda mais relevância diante dos problemas que continuam sendo enfrentados pela população potiguar na rede pública. Em vez de aparecer entre os estados que mais ampliam os investimentos, o RN termina o primeiro semestre justamente na última colocação.
Para a gestão Fátima Bezerra, o relatório representa mais um sinal de alerta sobre a condução das políticas públicas de saúde. E, diante da diferença em relação aos demais estados nordestinos, fica difícil tratar o resultado apenas como uma questão de calendário orçamentário.



