foto: divulgação PF

Uma operação integrada da Polícia Federal (PF) e da Polícia Civil do Rio Grande do Norte (PCRN) foi deflagrada na manhã desta sexta-feira (24), em Natal, para desarticular um grupo investigado por envolvimento no desvio e comercialização ilegal de cetamina. Batizada de Operação Dose Dupla, a ação apura os crimes de tráfico de drogas e associação para o tráfico.

Ao todo, os agentes cumpriram quatro mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão preventiva. As investigações apontam que o principal suspeito, um médico veterinário, comprava a substância em quantidade considerada incompatível com a demanda normal da atividade profissional, utilizando a autorização para uso veterinário como forma de obter o medicamento.

De acordo com a apuração, parte da cetamina adquirida teria sido desviada da finalidade legal e encaminhada ao mercado clandestino de drogas. Durante a investigação, outros envolvidos foram identificados e são suspeitos de participar da logística de recebimento, distribuição e comercialização da substância.

A investigação contou com apoio técnico do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), que concluiu que o volume de cetamina adquirido pelo investigado não era compatível com o exercício regular da medicina veterinária, reforçando os indícios de desvio do anestésico controlado.

As diligências prosseguem para identificar a extensão da atuação do grupo e reunir novas provas. Se condenados, os investigados poderão responder pelos crimes de tráfico de drogas e associação para o tráfico, cujas penas, somadas, podem chegar a 25 anos de prisão, além do pagamento de multa.

A cetamina é um medicamento anestésico e analgésico de ação rápida, utilizado principalmente na medicina humana e veterinária. Ela provoca um estado conhecido como anestesia dissociativa, no qual o paciente perde a percepção da dor e do ambiente, mas pode manter alguns reflexos e a respiração espontânea.

Na prática, ela tem diferentes usos:

  • Na medicina humana: é empregada em cirurgias, procedimentos de emergência, controle de dor intensa e, em doses específicas, no tratamento de casos de depressão resistente, sempre sob supervisão médica.
  • Na medicina veterinária: é amplamente utilizada como anestésico em cirurgias e procedimentos realizados em animais.

Uso ilícito

Por causar efeitos como alteração da percepção, sensação de dissociação, alucinações e euforia, a cetamina também é desviada para o mercado ilegal. Nesse contexto, é conhecida por nomes como “Special K” ou simplesmente “K” e é consumida como droga recreativa.

O uso sem prescrição pode provocar:

  • confusão mental;
  • perda de coordenação motora;
  • alucinações;
  • dificuldade respiratória;
  • dependência psicológica;
  • lesões na bexiga e no trato urinário quando utilizada de forma frequente.

Controle

No Brasil, a cetamina é uma substância sujeita a controle especial pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Sua compra, armazenamento e utilização seguem regras rigorosas, especialmente por profissionais da saúde e médicos veterinários, justamente para evitar desvios para o tráfico de drogas.

No caso da operação da Polícia Federal no Rio Grande do Norte, a investigação apura a suspeita de que um médico veterinário teria adquirido grandes quantidades do anestésico usando sua autorização profissional e desviado parte do produto para abastecer o tráfico de drogas.

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