O avanço das fontes limpas no Rio Grande do Norte encontrou uma barreira física que ameaça o futuro do setor no estado. Entre janeiro e o dia 20 de julho de 2026, o RN liderou o ranking de desperdício de energia renovável na Região Nordeste, descartando 23,2% de tudo o que poderia ter produzido por meio de parques eólicos e usinas solares.
Os dados, obtidos junto ao Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e revelam um cenário em que a estrutura de escoamento não consegue acompanhar a capacidade geradora potiguar. A taxa de desperdício local supera confortavelmente a média nacional, que ficou em 19,1% no mesmo período.
O tamanho do prejuízo
Na prática, quase um quarto do potencial elétrico gerado pelo vento e pelo sol no estado simplesmente se perdeu. Dos 4.091 MW médios de capacidade registrada até julho, 951 MW médios foram submetidos a cortes operacionais, medida adotada quando a rede elétrica não suporta a carga ou quando há excesso de oferta em horários de pico.
Efeito dominó na economia potiguar
O consenso entre especialistas e líderes lideranças é de que a expansão das linhas de transmissão e a chegada de tecnologias de armazenamento (como baterias de grande porte) caminham a passos lentos se comparadas à velocidade de instalação dos parques eólicos e solares. O gargalo logístico ameaça a reputação do estado como um dos destinos mais atraentes para o capital estrangeiro e privado no que os cortes de geração temporários representam um desafio global e recorrente em países que aceleraram a transição para matrizes de alta participação renovável.
O órgão ressaltou que está em andamento um plano de ação para mitigar as perdas nos próximos anos, focado em três frentes principais:
Reforço e expansão das linhas da rede básica de transmissão;
Incentivo à implantação de sistemas de armazenamento de energia;
Ampliação da integração de grandes consumidores industriais à rede para absorver os excedentes de produção.
Enquanto as obras e soluções estruturais não saem do papel no ritmo necessário, o setor produtivo potiguar segue operando abaixo de sua capacidade máxima, vendo a energia limpa se esvair antes de chegar às tomadas do país.




