Jaine, de 25 anos, morreu após complicações durante uma cesariana no Hospital Santa Catarina, em Natal. Foto: Reprodução

A Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) instaurou uma sindicância para investigar a morte da gestante Jainne Francisca de Lima Nicássio, de 25 anos, ocorrida após complicações durante uma cesariana realizada no Hospital Regional Santa Catarina, na Zona Norte de Natal. Enquanto a apuração é conduzida, o anestesiologista que participou do procedimento foi afastado preventivamente de todos os plantões na rede estadual.

Segundo informações apresentadas pelo secretário estadual de Saúde, Alexandre Motta, os indícios iniciais apontam para uma possível troca de medicamentos durante a cirurgia. Conforme o relato, o profissional teria aplicado noradrenalina em vez do fármaco previsto para o procedimento. O próprio médico registrou o ocorrido no prontuário, comunicou a direção do hospital e informou a família da paciente sobre o erro.

Após a administração da medicação, a gestante apresentou uma rápida piora clínica, evoluindo com edema agudo de pulmão. Ela precisou ser intubada, sofreu uma parada cardiorrespiratória, foi encaminhada para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e, dias depois, teve a morte confirmada após diagnóstico de morte encefálica.

O bebê, retirado por meio de uma cesariana de emergência, sobreviveu, permaneceu sob cuidados médicos e recebeu alta hospitalar sem complicações.

Além de investigar a conduta do anestesiologista, a sindicância também vai avaliar se houve falhas nos protocolos de segurança da unidade, incluindo a organização, identificação e armazenamento dos medicamentos utilizados no centro cirúrgico. Toda a documentação referente ao atendimento foi preservada para subsidiar a apuração.

A Sesap informou ainda que o caso será encaminhado ao Conselho Regional de Medicina (CRM), que poderá adotar providências no âmbito ético-profissional. O anestesiologista, que atua na rede estadual por meio de empresa terceirizada, permanecerá afastado das atividades até a conclusão das investigações.

De acordo com a Secretaria de Saúde, não há registros de casos semelhantes na rede estadual, e o episódio deverá servir de base para uma reavaliação dos protocolos de segurança adotados nos hospitais públicos do Rio Grande do Norte.

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