foto: 96fm Natal

O senador Styvenson Valentim (Podemos) admitiu que avalia indicar a própria irmã, Anne Kelly Valentim, como uma das suplentes na chapa em que buscará a reeleição ao Senado em 2026. A declaração foi feita durante entrevista concedida nesta segunda-feira (20) à Rádio 96 FM Natal, ocasião em que o parlamentar também reconheceu ter mudado de posição em relação ao discurso que adotava contra o nepotismo quando entrou para a política.

Em 2018, Styvenson construiu parte de sua imagem pública criticando práticas associadas às chamadas “oligarquias” e à nomeação de familiares para cargos públicos. Agora, porém, afirma que passou a enxergar a questão de forma diferente e não vê problema em escolher um parente para uma função de tamanha relevância política.

“Foi, no passado. Hoje já não é mais”, respondeu o senador ao ser questionado sobre a aparente contradição entre o discurso da campanha de 2018 e a possibilidade de indicar a própria irmã para a suplência.

Segundo Styvenson, o principal critério para a escolha será a confiança. O senador justificou que pretende ter alguém de sua absoluta confiança caso deixe o mandato para disputar o Governo do Rio Grande do Norte em 2030, possibilidade que também voltou a admitir durante a entrevista.

Ao defender a mudança de entendimento, o parlamentar afirmou que parentesco não impede alguém de exercer uma função pública com competência. Para ele, uma pessoa da família não deve ser automaticamente excluída da administração pública apenas pelo vínculo familiar.

Apesar da justificativa, a declaração representa uma mudança significativa em relação ao posicionamento que ajudou a projetá-lo politicamente. Ele próprio reconheceu que criticava esse tipo de prática antes de ingressar no Senado, mas afirmou que sua visão sobre o tema mudou ao longo dos últimos anos.

Styvenson revelou que três nomes são analisados para ocupar as vagas de suplência. Além da irmã, dois empresários também manifestaram interesse na posição. Segundo o senador, ambos ofereceram apoio financeiro para sua campanha em troca da vaga de suplente.

Um deles, conforme relatou, é um grande empresário do Espírito Santo. O outro atua no setor de aviação. Os nomes não foram revelados. Styvenson afirmou que esse tipo de negociação é comum nas campanhas ao Senado e disse que muitos empresários buscam a suplência pelo acesso político que o cargo proporciona junto ao Congresso Nacional e aos ministérios.

Na entrevista à 96 FM Natal, o senador também declarou que, na prática, a escolha de suplentes costuma obedecer a critérios financeiros ou eleitorais. Segundo ele, normalmente são escolhidas pessoas que ajudam a financiar a campanha ou que agregam votos à chapa.

Atualmente, os suplentes de Styvenson são o advogado Alisson Taveira e a coronel da Polícia Militar Margarida Brandão. Mesmo sem confirmar a composição da chapa para 2026, o senador deixou claro que pretende priorizar alguém que considere leal ao seu projeto político, ainda que isso signifique recorrer à própria família, em contraste com o discurso que o levou ao Senado há oito anos.

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