O tratamento dispensado a Babá Pereira nos eventos políticos levanta dúvidas sobre o espaço que o municipalismo terá em um eventual governo.
Na política, gestos costumam falar mais alto do que discursos. E, quando um pré-candidato a vice-governador é repetidamente colocado em segundo plano, sem direito sequer à palavra em eventos públicos, a mensagem transmitida vai muito além do protocolo. É justamente essa percepção que tem alimentado o desconforto entre prefeitos e lideranças políticas aliados da chapa encabeçada por Álvaro Dias (PL).
Nos bastidores, cresce a avaliação de que Babá Pereira (PL) vem sendo tratado como uma figura meramente simbólica. A insatisfação não se limita ao próprio pré-candidato. Prefeitos que aderiram ao projeto político após articulações conduzidas por Babá passaram a questionar se o espaço reservado ao representante do municipalismo na campanha será o mesmo destinado aos municípios caso a chapa chegue ao Governo do Estado.
A preocupação faz sentido. Em uma composição majoritária, espera-se que o candidato a vice represente mais do que um requisito formal da legislação eleitoral. Sua presença deve refletir equilíbrio político, capacidade de diálogo e representatividade dos setores que ajudaram a construir a aliança. Quando isso não acontece, inevitavelmente surgem dúvidas sobre o peso real de sua participação nas decisões.
Embora aliados minimizem o problema, o incômodo é evidente entre lideranças municipais. A percepção de desprestígio pode gerar ruídos justamente em um segmento estratégico para qualquer campanha estadual: os prefeitos, que conhecem de perto as demandas da população e exercem influência direta em suas bases eleitorais.
Ainda assim, a chapa seguirá seu calendário. A convenção estadual do PL, marcada para o dia 26 de julho, no Ginásio Nélio Dias, na zona Norte de Natal, deverá oficializar as candidaturas de Álvaro Dias ao Governo do Estado e de Babá Pereira como candidato a vice-governador.
Confira a análise do colunista Clauber Beserra:
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Resta saber se, até lá, os sinais emitidos pela campanha serão suficientes para dissipar a impressão de que um aliado considerado importante nas articulações políticas ocupa, na prática, apenas um papel secundário. Em política, a forma como os aliados são tratados durante a campanha costuma antecipar o estilo de governar. E esse é um detalhe que dificilmente passa despercebido pelos eleitores e, principalmente, pelas lideranças que decidiram apostar no projeto.