Foto: arquivo Codern

 O anúncio oficial feito pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) de aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre uma ampla gama de produtos brasileiros a partir do próximo dia 22 de julho trouxe uma onda de preocupações para a balança comercial do país. No entanto, para o Rio Grande do Norte, a leitura detalhada da lista de exceções divulgada por Washington traz um misto de alívio temporário e forte sinal de alerta.  

O “tarifaço”, chancelado pelo presidente Donald Trump após uma investigação comercial sob a Seção 301 da legislação americana, mirava inicialmente travar cerca de 21% de todas as exportações brasileiras para a maior economia do mundo. Mas, no tabuleiro geopolítico, o RN conseguiu salvar seus principais trunfos de exportação graças a um extenso rol de isenções técnicas.  

O Escudo das Exceções: Petróleo e Fruticultura Salvos

Os dois principais pilares da pauta exportadora do Rio Grande do Norte para os EUA  o petróleo e derivados (óleos combustíveis) e a fruticultura tropical (com destaque absoluto para os melões e melancias produzidos no polo Mossoró-Assú), figuram na lista de produtos poupados pelo governo americano.

A estratégia americana de poupar insumos essenciais sem substitutos domésticos viáveis acabou beneficiando o estado. Na lista de isenções, constam:

 Combustíveis e óleos minerais: 76 itens isentos (essencial para o óleo bruto e combustíveis navais do RN);  

 Frutas e frutos secos: 48 itens protegidos da sobretaxa;  

 Peixes e frutos do mar: 11 itens fora do tarifaço (o que preserva as exportações locais de atum e outros pescados).

Essa blindagem na fruticultura e no setor de combustíveis garante que os maiores volumes financeiros da corrente de comércio potiguar com os EUA não sofram um colapso imediato. O melão do RN, por exemplo, que lidera as exportações do setor no Brasil, segue competitivo no mercado internacional, embora o foco principal desse produto ainda seja a União Europeia.

O Alerta Vermelho: Setor Têxtil Potiguar Sob Pressão

Se o campo e o setor de energia respiram, a indústria de transformação e o setor têxtil do Rio Grande do Norte receberam a notícia com extrema preocupação.

O estado abriga um forte polo têxtil e de confecções que atua fortemente integrado a grandes cadeias de suprimentos. Na lista oficial de isenções americanas, a categoria de Têxteis conta com apenas 2 itens poupados em meio a centenas de produtos taxados.

Com isso, os tecidos de algodão e as peças de vestuário produzidas em solo potiguar que eventualmente tenham como destino o mercado norte-americano passarão a carregar o pesado fardo da alíquota de 25%. Esse fator pode minar a competitividade da indústria local frente a concorrentes da América Central e da Ásia, que operam com custos produtivos significativamente menores.

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