Novas alianças, velhos rompimentos e sinais de isolamento mostram que a disputa de 2026 já começou — e com muito mais incertezas do que certezas.

A política costuma ensinar que alianças são permanentes apenas até a próxima conveniência. No Rio Grande do Norte, a última semana foi um retrato quase didático dessa máxima.

Em poucos dias, o eleitor assistiu a movimentos que, isoladamente, já chamariam atenção. Juntos, revelam que o tabuleiro de 2026 está longe de estar definido.

O primeiro sinal veio da esquerda. Robério Paulino recusou a possibilidade de composição com o PT e decidiu lançar chapa própria. A decisão não representa apenas uma divergência eleitoral. Ela evidencia que nem todos os partidos historicamente alinhados ao campo progressista estão dispostos a abrir mão de protagonismo em nome de uma frente ampla.

Enquanto isso, um dos principais articuladores da política potiguar também deu um recado claro. O presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira, passou a demonstrar apoio ao ex-prefeito de Natal. O gesto ganha ainda mais relevância quando se lembra que, nas duas últimas eleições estaduais, Ezequiel esteve ao lado da governadora Fátima Bezerra. Na política, mudanças de rota raramente acontecem por acaso.

Mas talvez o episódio mais simbólico tenha ocorrido dentro do próprio campo governista.

A Articulação de Esquerda divulgou uma carta política na qual manifesta apoio à pré-candidatura de Samanda Alves ao Senado. O detalhe que chamou atenção não foi apenas a defesa de um nome, mas a ausência de outro: Rafael Motta.

O silêncio da corrente petista acontece poucos dias depois de Rafael ter protagonizado outro episódio desconfortável, ao ser deixado de fora das citações do cerimonial durante a entrega do Túnel Major Sales, em Luís Gomes. Separadamente, os episódios poderiam ser tratados como circunstâncias. Em sequência, alimentam uma percepção política difícil de ignorar: Rafael Motta parece enfrentar um crescente isolamento dentro do campo em que pretende disputar espaço.

Isso não significa, necessariamente, que sua candidatura esteja inviabilizada. Mas evidencia que, antes mesmo da campanha começar, a disputa pelo Senado já acontece nos bastidores do próprio grupo político.

Assista, na íntegra, a análise de Clauber Beserra:

 

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Enquanto adversários reorganizam forças e aliados testam novos caminhos, o eleitor acompanha uma dança de cadeiras que desafia antigos discursos de fidelidade partidária. Quem ontem era aliado pode amanhã disputar em campo oposto. Quem parecia nome natural pode descobrir que já não ocupa o mesmo espaço nas prioridades do grupo.

A semana deixou uma mensagem clara: a eleição de 2026 começou antes do calendário oficial. E, no Rio Grande do Norte, ninguém deveria tratar como definitiva qualquer fotografia do momento. Na política, as imagens envelhecem rápido. As desta semana talvez não durem até a próxima.