Indefinição na vaga de vice expõe dificuldades da chapa governista às vésperas das convenções

Falta menos de um mês para o encerramento do prazo das convenções partidárias, e o Partido dos Trabalhadores ainda enfrenta dificuldades para fechar a chapa majoritária que terá Carlos Eduardo Xavier, o Cadu Xavier, como candidato ao Governo do Rio Grande do Norte. Enquanto os principais adversários avançam na montagem de seus palanques, o governismo segue apostando em uma espera que pode terminar sem o resultado esperado.

O desejo do grupo liderado pela governadora Fátima Bezerra é conhecido: convencer o presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira (PSDB), a ocupar a vaga de vice-governador. O problema é que, até agora, o próprio Ezequiel mantém o discurso de que só anunciará seu posicionamento político na reta final do período das convenções.

Na política, porém, gestos costumam falar tão alto quanto as palavras. Se Ezequiel integra a base do governo, por que ainda não declarou publicamente apoio à candidatura de Cadu Xavier? A pergunta tem circulado nos bastidores da política potiguar e alimenta diferentes interpretações.

Uma delas é que o presidente da Assembleia prefere aguardar a consolidação do cenário eleitoral antes de fazer sua escolha definitiva. Interlocutores avaliam que o desempenho ainda modesto de Cadu Xavier nas pesquisas faz com que Ezequiel evite um compromisso antecipado, preservando seu capital político caso o quadro eleitoral sofra mudanças.

Ao mesmo tempo, seus movimentos têm sido observados com atenção. O diálogo frequente com o grupo do ex-prefeito Álvaro Dias alimenta especulações sobre uma possível aproximação. Até o momento, no entanto, Ezequiel não confirmou qual palanque apoiará.

Enquanto isso, os adversários aceleram. Álvaro Dias foi o primeiro a estruturar sua chapa majoritária. Já Allyson Bezerra caminha para concluir a composição do seu grupo político, com a expectativa de anunciar o segundo nome ao Senado, consolidando praticamente todo o palanque antes mesmo das convenções.

O contraste é inevitável. Enquanto os concorrentes procuram transmitir segurança e organização, o PT ainda trabalha para preencher uma vaga considerada estratégica. Caso Ezequiel Ferreira decida seguir outro caminho, o partido terá de recorrer a um nome alternativo, possivelmente com menor peso político e menor capacidade de agregar apoios regionais.

Na política, o tempo raramente é um aliado de quem espera demais. Se a aposta em Ezequiel não se confirmar, o PT poderá chegar à largada oficial da campanha com uma chapa montada às pressas, justamente quando seus principais adversários já estarão exibindo palanques consolidados e discurso de unidade. Em uma eleição competitiva, essa diferença pode ser mais do que simbólica: pode influenciar a percepção do eleitor desde os primeiros dias da campanha.