foto: reprodução

Um dos principais eventos do calendário junino da capital potiguar corre o risco de não acontecer em 2026. A Prefeitura de Natal informou, nesta quarta-feira (8), que o Festival de Quadrilhas Juninas foi adiado por tempo indeterminado e poderá ser cancelado caso não sejam encontrados recursos para viabilizar sua realização.

Segundo a administração municipal, a principal dificuldade está na captação dos recursos financeiros por meio da Lei Câmara Cascudo, mecanismo de incentivo fiscal utilizado para custear o evento. Sem a confirmação do financiamento, a programação prevista tornou-se inviável.

Em nota, a Secretaria Municipal de Cultura (Secult/Funcarte) afirmou que cumpriu todas as etapas administrativas necessárias para a realização do festival. No entanto, a empresa Natal Cultural, responsável pela organização e execução do evento nos últimos 11 anos, não conseguiu captar os recursos indispensáveis para cobrir os custos da edição deste ano.

A Prefeitura ressaltou que reconhece a importância do Festival de Quadrilhas Juninas para a preservação das tradições culturais do Rio Grande do Norte, além do impacto positivo que o evento gera para os grupos folclóricos, artistas, profissionais envolvidos na cadeia produtiva e para a economia criativa da cidade.

Diante da indefinição, uma alternativa começou a ser discutida para garantir que os grupos juninos mantenham suas atividades. A Liga das Quadrilhas Juninas apresentou à Secult/Funcarte a proposta de levar as apresentações dos 12 grupos contemplados pelo edital municipal para escolas, praças, eventos institucionais e outros espaços públicos e comunitários da capital.

A iniciativa está sendo analisada pela Secretaria de Cultura e, caso seja implementada, permitirá que os espetáculos preparados pelas quadrilhas sejam apresentados ao público, mesmo sem a realização da tradicional competição que reúne milhares de espectadores durante o período junino.

O Festival de Quadrilhas Juninas é considerado um dos eventos mais importantes da cultura popular de Natal, reunindo anualmente grupos de diversas regiões do estado e movimentando setores como turismo, comércio, alimentação, transporte e serviços. Além do aspecto cultural, o festival representa uma importante fonte de renda para costureiras, cenógrafos, músicos, coreógrafos e outros profissionais que trabalham diretamente na produção das apresentações.

Apesar do adiamento, a Prefeitura informou que continuará buscando alternativas para garantir a realização do festival e afirmou que manterá diálogo com os grupos juninos e com os demais envolvidos no evento. A gestão municipal também assegurou que divulgará novas informações à medida que houver avanços nas tratativas para viabilizar os recursos necessários.

Enquanto o impasse não é solucionado, a expectativa do movimento junino é de que sejam encontradas alternativas capazes de preservar uma das manifestações culturais mais tradicionais do Rio Grande do Norte, reconhecida por sua relevância artística, social e econômica.

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