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Enquanto Cadu Xavier aposta no lulismo, Álvaro Dias tenta vestir a camisa do bolsonarismo e Allyson Bezerra busca construir uma candidatura independente. No meio desse jogo, Zenaide Maia desafia a lógica dos palanques.

A eleição para o Governo do Rio Grande do Norte começa a desenhar um cenário que foge do padrão nacional. Enquanto o debate presidencial tende, mais uma vez, a ser dominado pela polarização entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o campo bolsonarista, os principais pré-candidatos ao Executivo estadual apostam em estratégias distintas para conquistar o eleitor.

Cadu Xavier decidiu nacionalizar sua candidatura. Ao lado da governadora Fátima Bezerra e de todo o grupo governista, busca vincular sua imagem à do presidente Lula, apostando no eleitorado de esquerda que garantiu ao PT duas vitórias consecutivas no Estado. A mensagem é clara: Cadu pretende ser apresentado ao eleitor como o candidato de Lula no Rio Grande do Norte.

Álvaro Dias percorre o caminho inverso. O ex-prefeito de Natal procura ocupar o espaço do eleitor conservador e tem reforçado sua aproximação com o senador Flávio Bolsonaro, tentando consolidar sua imagem como representante do campo bolsonarista no Estado. O desafio dessa estratégia é convencer um eleitorado que valoriza coerência ideológica. A passagem de Álvaro por diferentes partidos, de variados espectros políticos, é frequentemente lembrada por adversários para questionar essa identificação com o conservadorismo. Ainda assim, o ex-prefeito aposta que o sentimento do eleitor falará mais alto do que sua trajetória partidária.

Já Allyson Bezerra decidiu seguir outro roteiro. O ex-prefeito de Mossoró evita transformar sua pré-campanha em um braço da disputa presidencial. Em vez de escolher um dos polos da política nacional, procura construir uma imagem de independência, priorizando um discurso voltado para os problemas do Rio Grande do Norte, sua experiência administrativa e a defesa de uma agenda estadual.

É justamente nessa estratégia que aparece uma das situações mais curiosas da política potiguar.

Um dos principais apoios de Allyson é a senadora Zenaide Maia, presidente estadual do PSD. Nacionalmente, seu partido lançou o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, como pré-candidato à Presidência da República. Entretanto, Zenaide permanece como vice-líder do Governo Lula no Senado e mantém alinhamento político com o presidente.

Na prática, isso cria um desenho pouco convencional. Zenaide apoia Lula, mas não deverá estar no palanque petista de Cadu Xavier e Fátima Bezerra. A resistência dentro do PT à presença da senadora é conhecida e já foi manifestada por lideranças como Samanda Alves e Rafael Motta, tornando improvável uma composição conjunta, apesar da convergência em torno do presidente da República.

O resultado é um tabuleiro político singular. Cadu aposta na força eleitoral de Lula. Álvaro tenta consolidar o voto conservador e bolsonarista. Allyson procura convencer o eleitor de que a disputa estadual deve ser decidida pelos problemas do Rio Grande do Norte, sem importar para o Estado a polarização nacional.

Mas esse desenho vale apenas para o primeiro turno.

Caso a disputa avance para uma segunda etapa — tanto no Rio Grande do Norte quanto na eleição presidencial — o cenário pode mudar completamente. A política raramente permite alianças definitivas. Dependendo de quem chegar ao segundo turno, os palanques poderão ser redesenhados por pragmatismo, conveniência eleitoral ou, simplesmente, pelo instinto de sobrevivência política.

O retrato de hoje mostra estratégias diferentes para conquistar o eleitor. O de amanhã poderá revelar que, na política, convicções e alianças nem sempre caminham na mesma direção.

Assista na íntegra o comentário do colunista Clauber Beserra

 

 

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