Sede da Secretaria de Fazenda do Rio Grande do Norte, Sefaz-RN, em Natal (Foto: Divulgação/Carmem Felix/Sefaz-RN)

A decisão do vice-governador Walter Alves (MDB) de não assumir o Governo do Rio Grande do Norte, atribuindo sua escolha ao grave quadro das finanças estaduais, apenas evidenciou aquilo que já deveria estar no centro do debate eleitoral: o próximo governador herdará um Estado com baixíssima capacidade de investimento e enormes desafios fiscais.

A pressão da folha de pagamento sobre os limites da Lei de Responsabilidade Fiscal, o crescimento contínuo do déficit previdenciário e a escassez de recursos para novos investimentos formam um cenário que exigirá muito mais do que promessas de campanha. Quem pretende governar o Rio Grande do Norte terá de dizer, com objetividade, como pretende equilibrar as contas sem paralisar os serviços públicos.

Essa é uma discussão inevitável. Ela passa pela revisão de despesas, pelo aumento da eficiência do gasto público, pela ampliação de receitas e por eventuais reformas administrativas. São medidas politicamente difíceis, mas das quais nenhum futuro governador conseguirá escapar.

É nesse ponto que os pré-candidatos precisam apresentar respostas.

Cadu Xavier chega à disputa como o nome apoiado pela governadora Fátima Bezerra e carrega consigo a experiência de ter comandado a Secretaria da Fazenda. Justamente por isso, os questionamentos são inevitáveis. Sua gestão ficou associada à defesa e à implementação do aumento da alíquota modal do ICMS, medida que o governo apresentou como necessária para recompor as receitas estaduais. Como pretende resolver o rombo fiscal e a incapacidade de investimento do governo que ajudou a administrar? Se conhece tão bem o caminho para reequilibrar as contas públicas, por que essas medidas não foram implementadas durante a atual gestão?

Álvaro Dias também terá de enfrentar perguntas difíceis. Sua passagem pela Prefeitura de Natal foi marcada por promessas que acabaram alvo de críticas. O Hospital Municipal São Padre Pio foi inaugurado antes de entrar em pleno funcionamento e permanece cercado de questionamentos. Houve ainda episódios envolvendo o atraso no pagamento de cachês de artistas, que resultaram em ações judiciais para obrigar o município a cumprir suas obrigações. Como convencer o eleitor de que conseguirá administrar uma crise fiscal ainda maior no Governo do Estado?

Já Allyson Bezerra terá de demonstrar como pretende enfrentar problemas estruturais muito mais complexos do que aqueles encontrados em Mossoró. A experiência à frente da segunda maior cidade do Estado é um ativo político importante, mas governar o Rio Grande do Norte significa administrar uma máquina pública muito maior, com um déficit fiscal expressivo e limitações orçamentárias que vão muito além da realidade municipal.

A campanha de 2026 certamente discutirá alianças, pesquisas e estratégias eleitorais. Mas nenhuma dessas questões será mais importante do que uma resposta simples que o eleitor espera ouvir de todos os pré-candidatos: qual é o plano concreto para tirar as contas do Rio Grande do Norte do vermelho e devolver ao Estado a capacidade de investir e crescer?

 

Ver essa foto no Instagram

 

Um post compartilhado por RN247 (@portalrn247)