Mesmo com políticas federais para estimular a permanência dos estudantes na escola, estado segue entre os piores indicadores do país em alfabetização e enfrenta alta retenção no ensino médio.
A educação do Rio Grande do Norte continua colecionando indicadores preocupantes. Dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) mostram que 13,1% dos estudantes do 1º ano do ensino médio foram reprovados, percentual que coloca o estado entre os piores desempenhos do Nordeste e acima da média nacional.
O dado ganha ainda mais relevância porque surge em um momento em que o Governo Federal tem ampliado ações para reduzir o abandono escolar. Um dos principais programas é o Pé-de-Meia, que oferece incentivo financeiro a estudantes do ensino médio da rede pública inscritos no Cadastro Único. Desde sua implantação, o programa vem sendo apontado pelo Ministério da Educação como um importante instrumento para ampliar a permanência dos jovens na escola e combater a evasão.
Embora o Pé-de-Meia atue principalmente sobre o abandono escolar — e não diretamente sobre a reprovação — especialistas destacam que a permanência dos estudantes é um dos fatores essenciais para melhorar os indicadores educacionais ao longo do tempo. Ainda assim, o Rio Grande do Norte continua apresentando resultados insatisfatórios em diferentes etapas da educação básica.
O cenário amplia as cobranças sobre a gestão da governadora Fátima Bezerra (PT), que construiu sua trajetória política tendo a educação como uma de suas principais bandeiras. Mesmo com o reforço das políticas federais e investimentos anunciados para a rede estadual, os indicadores oficiais ainda não apontam uma melhora consistente no desempenho dos estudantes potiguares.
A situação já havia chamado atenção em outro levantamento oficial. Neste ano, o Ministério da Educação divulgou o Indicador Criança Alfabetizada mostrando que o Rio Grande do Norte registrou o pior desempenho do Brasil na alfabetização de crianças ao final do 2º ano do ensino fundamental. Menos da metade dos alunos alcançou o nível de aprendizagem considerado adequado, colocando o estado na última colocação nacional.
Quando os dois indicadores são analisados em conjunto, o diagnóstico é preocupante. De um lado, o estado enfrenta dificuldades para alfabetizar suas crianças na idade correta. De outro, registra uma das maiores taxas de reprovação justamente na porta de entrada do ensino médio, etapa em que muitos estudantes abandonam a escola ou acumulam atrasos que comprometem a conclusão da educação básica.
Pesquisadores da área educacional apontam que a elevada reprovação no primeiro ano do ensino médio costuma refletir deficiências acumuladas desde os anos iniciais do ensino fundamental, além de problemas relacionados à aprendizagem, distorção idade-série, formação docente, infraestrutura escolar e gestão da rede. Nesse contexto, os resultados oficiais aumentam a pressão para que o governo estadual apresente políticas capazes de melhorar efetivamente o desempenho da educação pública potiguar.
Os números do Inep reforçam que, apesar das políticas nacionais voltadas à permanência dos estudantes e dos investimentos anunciados para a educação, o Rio Grande do Norte ainda não conseguiu converter esses esforços em avanços expressivos nos principais indicadores de aprendizagem e rendimento escolar.
Ver essa foto no Instagram