A obsessão de BG contra Allyson Bezerra já não parece mera coincidência. A cada novo episódio envolvendo o ex-prefeito de Mossoró, o blogueiro encontra motivos para disparar críticas, levantar suspeitas e exigir investigações. O mesmo entusiasmo, porém, não costuma aparecer quando os fatos orbitam outros personagens da política potiguar, especialmente aqueles que dividem com ele uma aparente sintonia política.
A mais recente demonstração desse comportamento veio após a decisão do Tribunal Regional Eleitoral de solicitar à Meta informações para identificar responsáveis por perfis investigados sob suspeita de favorecer Allyson Bezerra. Bastou a notícia surgir para que BG voltasse a empunhar a bandeira da apuração rigorosa, da investigação ampla e da cobrança implacável.
Nada contra investigar. Pelo contrário. Em democracia, toda suspeita legítima deve ser esclarecida. O problema surge quando o rigor parece ter endereço certo e lado definido.
Curiosamente, o mesmo comunicador que hoje exige respostas imediatas conhece bem o desconforto de ser alvo de acusações. Ao longo de sua trajetória, já enfrentou críticas e questionamentos públicos sobre a divulgação de informações falsas. Na época, certamente defendia prudência, responsabilidade e respeito à presunção de inocência. Valores que parecem ser lembrados apenas quando lhe convêm.
A impressão que fica é que Allyson Bezerra se transformou em alvo preferencial. Não por acaso. Trata-se de um político oriundo do interior, com base consolidada em Mossoró e que, para desconforto de muitos grupos tradicionais, lidera pesquisas e aparece cada vez mais competitivo na corrida pelo Governo do Estado.
Enquanto isso, pouco ou nada se fala sobre outras estruturas de comunicação que atuam claramente no ambiente político estadual. Não se vê o mesmo ímpeto investigativo, a mesma indignação ou a mesma disposição para questionar relações e interesses quando o assunto envolve figuras alinhadas ao campo político de Álvaro Dias.
É justamente aí que surge a dúvida inevitável: estamos diante de um exercício de jornalismo crítico ou de uma militância seletiva travestida de análise política?
A resposta talvez esteja na diferença de tratamento. Afinal, quando a régua muda de tamanho conforme o personagem analisado, o discurso da imparcialidade perde força. E quando as críticas seguem sempre a mesma direção, fica difícil convencer a opinião pública de que se trata apenas de coincidência.
No fim das contas, o eleitor percebe. E talvez perceba mais do que alguns imaginam. Porque, na política, tão importante quanto o que se fala é aquilo que se escolhe não falar.
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