Ex-prefeito de Natal atribui ao sucessor problemas que tiveram origem em sua própria gestão, do Hospital Municipal a dívidas deixadas pela Prefeitura.
O ex-prefeito de Natal e pré-candidato ao Governo do Rio Grande do Norte, Álvaro Dias, tem demonstrado uma característica que chama atenção em sua trajetória política recente: a dificuldade de assumir responsabilidades por decisões e problemas que surgiram durante sua própria administração.
O exemplo mais evidente voltou à tona nos debates sobre o Hospital Municipal de Natal. Questionado sobre o fato de a unidade ainda não estar funcionando plenamente, Álvaro tem atribuído a demora ao atual prefeito, Paulo Freire. Segundo o ex-gestor, o hospital já poderia estar em operação, mesmo sem a conclusão total das obras, e o atraso ocorreria porque a atual gestão pretende terceirizar a administração da unidade.
O argumento, porém, levanta questionamentos. Afinal, a construção e a entrega do hospital eram compromissos da administração de Álvaro Dias. Se a obra não foi concluída dentro do prazo previsto, parte significativa da responsabilidade recai naturalmente sobre quem esteve à frente do projeto durante a maior parte de sua execução.
Mas o hospital não é o único caso. Recentemente, durante uma entrevista, o próprio Álvaro admitiu que sua gestão deixou pendente o pagamento de um show da cantora Thaty Girl realizado quando ele ainda ocupava a Prefeitura de Natal. Embora tenha reconhecido a dívida e afirmado que a artista não tem qualquer culpa pela situação, o ex-prefeito indicou que a responsabilidade pelo pagamento agora seria da atual administração.
Na prática, trata-se de mais um problema herdado por Paulo Freire e que teve origem em decisões tomadas durante o governo anterior. O episódio reforça a percepção de que, diante de dificuldades administrativas, Álvaro Dias prefere apontar para o sucessor em vez de reconhecer a parcela de responsabilidade que lhe cabe.
Na política, é natural que gestores herdem desafios de administrações passadas. O que chama atenção, neste caso, é a frequência com que o ex-prefeito transfere para terceiros o ônus de questões que nasceram sob sua própria gestão.
Paulo Freire, que frequentemente é tratado por Álvaro como amigo e aliado político, talvez devesse prestar atenção ao recado que os fatos parecem transmitir. Porque, como diz o velho ditado, com amigos assim, ninguém precisa de inimigos.
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