O jornalista Bruno Giovanni, apresentador do programa Meio Dia RN, da rádio 96FM (Foto: Reprodução)

A atuação do comunicador BG em recentes entrevistas políticas tem gerado comentários entre observadores e espectadores atentos ao debate público. Durante conversas com Cadu Xavier e Allyson Bezerra, o apresentador adotou uma postura firme, marcada por questionamentos incisivos e críticas contundentes aos entrevistados.

No entanto, o tom mudou quando o entrevistado foi Álvaro Dias. Na ocasião, a postura combativa que havia caracterizado os encontros anteriores deu lugar a uma condução mais amena, sem os embates e cobranças observados em outras entrevistas.

A diferença de comportamento não passou despercebida e alimenta questionamentos sobre a uniformidade dos critérios adotados pelo comunicador diante de diferentes agentes políticos. Para críticos, a mudança de postura sugere que a intensidade das cobranças varia conforme o interlocutor, o que pode comprometer a percepção de imparcialidade.

Nas redes sociais e nos bastidores da política, o contraste entre as entrevistas passou a ser apontado como um exemplo de tratamento desigual. Enquanto em alguns momentos BG assumiu o papel de entrevistador rigoroso e provocador, em outros demonstrou uma postura considerada mais cautelosa.

O episódio remete, guardadas as devidas proporções, a uma das passagens mais emblemáticas de O Auto da Compadecida, obra do escritor paraibano Ariano Suassuna. Durante o julgamento final dos personagens, diante de Jesus, do Diabo e da Compadecida, o padre e o bispo são confrontados por sua postura de complacência com os ricos e poderosos, ao mesmo tempo em que demonstram severidade e falta de misericórdia com os mais humildes. A crítica de Suassuna não era apenas religiosa, mas também social e moral: a autoridade perde legitimidade quando mede as pessoas por critérios diferentes, dependendo da posição que ocupam.

É justamente essa reflexão que alguns espectadores transportam para o comportamento recente de BG. O questionamento não está no direito de criticar ou confrontar entrevistados — função legítima e necessária do jornalismo —, mas na percepção de que o rigor demonstrado diante de determinados atores políticos parece não se repetir quando o entrevistado ocupa uma posição diferente no tabuleiro político.

Quando o entrevistador ruge para uns e sussurra para outros, a discussão inevitavelmente deixa de ser sobre a força das perguntas e passa a ser sobre a coerência dos critérios. E, assim como na obra de Suassuna, o problema não está na autoridade exercer seu papel, mas em escolher contra quem ela decide exercê-lo com mais intensidade.

O episódio reforça um debate recorrente sobre o papel da imprensa e dos comunicadores políticos: a necessidade de manter o mesmo nível de rigor, independência e senso crítico diante de todos os personagens da vida pública, independentemente de afinidades, conveniências ou divergências políticas.

Confira a análise: 

 

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