Quando o sangue é usado para fazer política, percebemos que há algo errado acontecendo.
O atentado em Mossoró, que deixou como saldo um jovem morto e outra pessoa ferida, é motivo de preocupação e solidariedade para com os envolvidos. Trata-se de uma tragédia que exige respeito, prudência e, acima de tudo, compromisso com a busca pela verdade.
Mas o uso de uma tragédia para fins eleitoreiros não pode ser tratado como algo normal.
É isso que percebemos na forma como o pré-candidato Álvaro Dias vem se posicionando sobre o caso. Os demais pré-candidatos também se manifestaram, o que é natural diante da gravidade dos fatos. Porém, o fizeram de maneira mais sóbria, sem a espetacularização da tragédia alheia e sem transformar a dor de terceiros em palco para disputas políticas.
Não é hora — e muito menos o ambiente adequado — para tentar lucrar eleitoralmente com uma situação tão lamentável como essa. O que a sociedade espera neste momento não são discursos carregados de oportunismo, mas respostas concretas para perguntas que ainda permanecem sem solução.
Queremos saber qual foi a real motivação do atentado. Queremos que sejam identificados e responsabilizados os verdadeiros autores e responsáveis por tudo isso. É nessa direção que devem estar voltadas as atenções da opinião pública, das autoridades e das lideranças políticas.
A forma impiedosa da ação e a ousadia de abrir fogo em plena transmissão pela internet deixam claro que não se trata de uma brincadeira ou de um episódio menor. A violência demonstrada pelos criminosos revela a gravidade do caso e reforça a necessidade de uma investigação rigorosa e transparente.
Não se brinca com a vida alheia. E também não se deve tentar aproveitar o luto e a dor para faturar votos.
Antes de qualquer cálculo eleitoral, deve existir respeito pelas vítimas, pelos familiares e pela sociedade que aguarda respostas. Transformar uma tragédia em instrumento político não ajuda a esclarecer os fatos, não conforta os que sofrem e tampouco contribui para a construção de soluções. Apenas reforça a percepção de que, para alguns, a disputa pelo poder vale mais do que a sensibilidade diante da dor humana.
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