A governadora Fátima Bezerra (PT) elevou o tom contra a pré-candidatura de Allyson Bezerra (União Brasil) ao Governo do Rio Grande do Norte e afirmou que o projeto político do ex-prefeito de Mossoró é “tutelado” por grupos tradicionais da política potiguar. A declaração foi dada em entrevista à Rádio Universitária, em meio ao avanço da articulação eleitoral para 2026 e à força demonstrada por Allyson em pesquisas recentes da corrida estadual.
Apesar de o ex-prefeito tentar se apresentar como nome de renovação, Fátima afirmou que a composição do palanque dele reúne lideranças antigas, partidos tradicionais e famílias com longa presença no poder do Estado. Para a governadora, há contradição entre o discurso de novidade e os apoios recebidos pelo pré-candidato.
“Não me venha com essa história. O novo reuniu em torno de si as oligarquias todas do Estado. É uma candidatura tutelada pelas oligarquias aqui do estado do Rio Grande do Norte”, afirmou a governadora.
A crítica de Fátima mira diretamente a aliança formada em torno de Allyson, que conta com apoio de oito partidos: União Brasil, PP, MDB, PSD, Republicanos, Solidariedade, PRD e Avante. No grupo político liderado pelo ex-prefeito de Mossoró estão nomes como o ex-senador e ex-governador José Agripino Maia (União), o vice-governador Walter Alves (MDB), o ex-governador, ex-senador e ex-ministro Garibaldi Alves Filho (MDB), a senadora Zenaide Maia (PSD), o deputado federal e ex-governador Robinson Faria (PP), o deputado federal João Maia (PP) e o deputado federal Benes Leocádio (União Brasil).
Na avaliação da governadora, esse conjunto de apoios representa “o que existe de mais conservador, de mais atrasado” na política estadual. Fátima afirmou que, embora a pré-candidatura de Allyson seja apresentada como renovação, ela estaria ligada a forças que governaram o Rio Grande do Norte em diferentes períodos.
“Ou seja, é um projeto que vai significar o quê? Voltar ao passado, aqueles governos de perfil oligárquico, perfil tradicional, governos que eram muito mais voltados para atender os interesses de grupos do que os interesses exatamente da coletividade como um todo”, declarou.
Fátima critica adesões de prefeitos a Allyson
Durante a entrevista, Fátima também comentou a adesão de prefeitos aliados de sua gestão à pré-candidatura de Allyson. Entre os nomes citados estão Dr. Tadeu (PSDB), prefeito de Caicó, e Marianna Almeida (PSD), prefeita de Pau dos Ferros.
A governadora disse respeitar as decisões, mas classificou os movimentos como um equívoco. Segundo ela, Tadeu tem trajetória mais próxima do campo progressista e de centro-esquerda, enquanto Marianna é uma liderança jovem que, em sua avaliação, se vinculou a um projeto conservador.
Questionada se havia se sentido traída pelos prefeitos, Fátima evitou usar o termo. “Eu não vou tratar nesses termos. Agora, lamento, acho que é um equívoco”, afirmou.
Governadora aposta no crescimento de Cadu Xavier
Ao mesmo tempo em que direcionou críticas a Allyson, Fátima procurou reforçar a confiança na pré-candidatura do ex-secretário da Fazenda Cadu Xavier (PT), nome apoiado pelo governo para a sucessão estadual. A governadora disse estar “muito confiante” com o que chamou de “time de Lula” no Rio Grande do Norte.
Segundo ela, a pré-campanha governista deu um passo importante ao lançar uma plataforma colaborativa para a construção do programa de governo. O ato, realizado na terça-feira (2), reuniu mais de 20 prefeitos e representantes de diferentes segmentos da sociedade.
Fátima afirmou ainda que o presidente nacional do PT, Edinho Silva, participou do evento e enviou mensagem elogiando a mobilização. De acordo com a governadora, Edinho saiu do Rio Grande do Norte mais confiante com o projeto de Cadu e levaria essa avaliação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A governadora também citou a pesquisa AtlasIntel divulgada na semana anterior e disse não ter se surpreendido com os números que colocaram Cadu em posição favorável. Ela afirmou reconhecer a credibilidade do instituto e disse perceber, nas ruas, uma popularização crescente do nome do pré-candidato petista.
“Eu estou vendo exatamente o nome de Cadu se popularizando cada vez mais. As pessoas hoje, quando se encontram comigo e Cadu não está comigo, a primeira coisa que elas me perguntam agora é: governadora, cadê Cadu?”, afirmou.
Fátima apresentou Cadu como servidor de carreira, auditor fiscal e gestor de perfil técnico. Segundo ela, o ex-secretário teve papel relevante nas áreas de tributação e finanças desde o início da gestão, quando o Estado enfrentava salários atrasados, dificuldades fiscais e serviços públicos em crise. A governadora afirmou que Cadu ajudou a tirar o Rio Grande do Norte da situação que chamou de “massa falida” encontrada em 2019.
Críticas a Álvaro Dias e defesa de aliança com o PSDB
Fátima também criticou o ex-prefeito de Natal Álvaro Dias (PL), outro pré-candidato ao Governo do Estado. Para ela, Álvaro representa um projeto associado ao bolsonarismo e à extrema direita. A governadora afirmou que a candidatura dele carrega um campo político ligado ao autoritarismo, à ameaça à democracia e à soberania nacional.
Nesse trecho, Fátima relacionou a família Bolsonaro à nova ameaça de tarifas dos Estados Unidos contra produtos brasileiros. Ela afirmou que esse tipo de articulação prejudica diretamente a economia do Rio Grande do Norte, citando setores como a pesca e o sal.
A governadora também voltou a defender a presença do PSDB na aliança governista. Ela confirmou que a reunião com o presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira (PSDB), estava marcada, mas foi adiada para a semana seguinte por causa de um compromisso familiar do deputado.
Fátima disse que deseja ver o PSDB na chapa de Cadu Xavier e afirmou que o partido poderia indicar o nome para a vice, preferencialmente uma mulher. Segundo ela, sua aliança com Ezequiel existe há oito anos e não é apenas institucional, pelo fato de ele presidir a Assembleia e ela comandar o Executivo. A governadora disse haver também uma relação política e afirmou que a liderança de Ezequiel justifica a tentativa de atrair o PSDB para o palanque governista. Ela ressaltou, porém, que a decisão cabe ao partido.
Senado: Fátima defende Samanda e Rafael Motta
Na disputa pelo Senado, Fátima afirmou que Samanda Alves (PT) tende a crescer à medida que o eleitorado compreender que ela ocupa a vaga que seria da própria governadora na chapa.
“Samanda é Fátima”, disse.
Segundo a governadora, a vaga pertencia ao PT e, com sua decisão de não disputar o Senado, o partido escolheu Samanda como nome de renovação. Fátima afirmou ter orgulho da renovação geracional do PT no Rio Grande do Norte, especialmente por ser liderada por mulheres.
Ela citou Samanda Alves, Natália Bonavides, Isolda Dantas, Divaneide Basílio, Brisa Bracchi e Marleide Cunha como exemplos desse processo. A governadora disse ainda acreditar que Natália será novamente a deputada federal mais votada do Estado.
Sobre Rafael Motta (PDT), Fátima afirmou que ele também integra o “time de Lula” no Rio Grande do Norte. Segundo ela, o PDT reivindicou participação na chapa majoritária, e Rafael disputará a outra vaga ao Senado ao lado de Samanda. Para a governadora, a composição expressa coerência política e programática com o projeto nacional liderado por Lula.



