Screenshot

A deputada estadual Isolda Dantas (PT), aliada de Cadu na disputa pelo Governo do Rio Grande do Norte, provocou o candidato Allyson Bezerra (União Brasil) ao chamá-lo de “calango”. A declaração repercutiu na campanha e motivou uma resposta do adversário, que usou o apelido para exaltar suas origens sertanejas e criticar o que classificou como uma campanha de ódio promovida pelos opositores.

“Calango, entrega a senha do celular”, disparou a parlamentar, ao fazer referência ao candidato. A provocação acrescentou um novo elemento à disputa eleitoral e remeteu a episódios anteriores em que Allyson foi alvo de expressões depreciativas durante campanhas políticas.

Episódio relembra disputa eleitoral em Mossoró

O caso lembra a eleição municipal de Mossoró, em 2020, quando a então prefeita Rosalba Ciarlini chamou Allyson de “pobrezinho” durante um debate. Na ocasião, a expressão foi incorporada ao discurso eleitoral do então candidato, que acabou eleito prefeito do município.

Embora os episódios ocorram em contextos diferentes, o uso de apelidos pejorativos pode deslocar o debate político das propostas e das críticas administrativas para o tratamento dispensado aos adversários. A situação também abre espaço para que o candidato atingido transforme a provocação em argumento de campanha.

Allyson responde e transforma apelido em símbolo do sertão

Em vídeo publicado nas redes sociais, Allyson rebateu a deputada e associou a declaração ao que chamou de discurso de ódio dos adversários. Na sequência, ressignificou o apelido e apresentou o calango como símbolo da resistência e da identidade do povo sertanejo.

“Deputada, a boca fala do que o coração tá cheio”, afirmou o candidato. Em seguida, acrescentou: “E o povo tá vendo essa campanha do ódio de vocês”.

Allyson destacou a capacidade de adaptação do animal às condições do semiárido e relacionou essas características à trajetória de quem enfrenta as dificuldades da vida no interior nordestino.

“Mas o calango é filho legítimo do sertão. Nasceu onde o sol castiga. Onde a terra racha e onde a vida ensina desde cedo a gente ser forte”, declarou.

O candidato também ressaltou a resistência do animal e sua presença no cotidiano da população nordestina. “O calango não nasceu em berço de ouro, não. Nasceu no meio da luta e aprendeu que pra viver no meio do sertão não basta ser forte”, disse.

Ao final da gravação, Allyson convocou apoiadores a compartilharem o vídeo e associou o apelido ao número de sua candidatura, defendendo a mobilização eleitoral em torno do projeto que apresenta para o Rio Grande do Norte.

“Estou com o calango 44 com muito orgulho pra gente vencer as eleições e mudar o Rio Grande do Norte no domingo”, concluiu.

A reação transforma a provocação em uma tentativa de reforçar a identificação do candidato com suas origens e com o eleitorado do interior. Em uma disputa marcada por ataques entre adversários, o episódio acrescenta mais um capítulo à estratégia de comunicação das campanhas na reta final da eleição.

Compartilhe esse conteúdo: