O candidato ao Governo do Rio Grande do Norte Allyson Bezerra (União Brasil) criticou a política de segurança pública do Estado e afirmou que a falta de efetivo no sistema penitenciário chegou ao ponto de presos assumirem funções que deveriam ser exercidas exclusivamente por policiais penais.
A declaração ocorreu durante o debate da Inter Tv, nesta terça-feira (29), após um relatório da própria administração da Penitenciária Estadual de Alcaçuz, em Nísia Floresta, apontar que presos que trabalham na unidade, chamados de “presos pagadores”, receberam chaves para realizar o trancamento de outros internos. O documento, referente a agosto de 2026, classifica a situação como alarmante e aponta déficit de servidores, guaritas desativadas e falhas na vigilância externa.
O problema também foi denunciado pelo Sindicato dos Policiais Penais do Rio Grande do Norte (SINDPPEN). Em agosto, a entidade informou à Justiça que os quatro pavilhões do Complexo Penal de Alcaçuz abrigavam 1.796 detentos e contavam com 14 policiais penais em serviço, considerando dois servidores em diária operacional. A direção da unidade, entretanto, contestou posteriormente esse número e afirmou que o quantitativo divulgado pelo sindicato não correspondia à realidade, sem informar o efetivo exato por questões de segurança.
Além da situação do sistema prisional, Allyson utilizou dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública para criticar os índices de violência no Estado. Segundo a publicação do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o número de mortes violentas intencionais no Rio Grande do Norte cresceu 19,6% em 2025, na comparação com o ano anterior. No mesmo período, o indicador apresentou queda de 8,2% no Brasil, que registrou 40.775 mortes violentas intencionais em 2025.
O resultado colocou o Rio Grande do Norte entre os sete estados brasileiros que registraram aumento das mortes violentas intencionais no período. De acordo com o Anuário, o Estado apresentou a maior variação positiva entre as unidades da federação analisadas.
Durante a campanha, Allyson tem usado a experiência à frente da Prefeitura de Mossoró para apresentar suas propostas para a segurança estadual. Na gestão municipal, uma das medidas destacadas pelo candidato foi o processo de armamento da Guarda Civil Municipal. Em 2021, a Prefeitura assinou acordo com a Polícia Federal para viabilizar o porte institucional de armas para os agentes, após anos de espera da categoria.
A administração também ampliou e renovou a frota da Guarda Municipal e implantou pontos fixos de atuação em equipamentos públicos. Posteriormente, agentes concluíram treinamento de tiro para obtenção do porte institucional.
Outro avanço registrado na gestão municipal foi a criação, em 2025, de um novo Plano de Cargos, Carreira e Remuneração para a Guarda Civil Municipal. A legislação criou 380 cargos de guarda e estabeleceu uma estrutura de carreira com classes e níveis.
Para o governo estadual, Allyson promete ampliar os investimentos nas forças de segurança, com melhoria das condições de trabalho, reforço do policiamento ostensivo e aumento da presença das polícias nas ruas. O candidato também defende a criação de um plano de carreira para os profissionais da segurança pública.
A proposta é apresentada por Allyson como uma mudança na política de segurança do Estado, com foco no fortalecimento do efetivo, na estrutura das corporações e na atuação preventiva e ostensiva. O candidato afirma que pretende utilizar no âmbito estadual medidas que, segundo ele, foram adotadas durante sua administração em Mossoró.




