Foto: Elpídio Júnior/CMN

O ex-assessor parlamentar Laércio Cardoso de Lima acusa o gabinete da vereadora de Natal e candidata a deputada federal Thabatta Pimenta (PV) de exigir a devolução de parte de seu salário. Segundo ele, recebia R$ 2,4 mil e passou a receber R$ 3,8 mil após aceitar morar na residência da parlamentar. Do valor, R$ 800, segundo seu relato, deveriam ser entregues em espécie à chefe de gabinete. “Precisava mandar de volta R$ 800, sempre em espécie para não ficar rastro”, afirmou em entrevista à advogada e influenciadora Brenda Martins, publicada nas redes sociais.

Laércio também afirma que, durante o período em que trabalhou para o gabinete, realizava tarefas particulares na casa da vereadora. Entre elas, cita o preparo de refeições e os cuidados com Ryan, irmão de Thabatta. “Eu recebia da Câmara e ainda tinha que devolver”, disse. Sobre os cuidados com Ryan, relatou: “Era eu que dava banho, dava remédio, dava comida, que cozinhava e botava ele pra dormir”.

Em outro trecho da entrevista, o ex-assessor fez críticas à atuação da vereadora em relação ao irmão. “Thabatta Pimenta é a maior farsa desse estado do Rio Grande do Norte. Enquanto mãe atípica, é uma farsa. Ela não cuida daquele irmão. Ela usa o irmão, só em frente à câmera. Quando a câmera liga, aí ela passa a ser mãe atípica. O dia todo, o cuidado era meu. Mas, quando a gente chega com ele no evento, que desce e coloca na cadeira de rodas, ela dá um empurrão em você e ela assume a cadeira para mostrar para a sociedade que é ela quem cuida”, acrescentou.

A nomeação de Laércio Cardoso como assessor parlamentar consta em portaria publicada em 3 de janeiro de 2025, dois dias após a posse de Thabatta no mandato. A exoneração foi formalizada em 22 de abril de 2026, sem indicação do motivo no documento.

O ex-assessor ainda acusa o gabinete de cobrar dos servidores valores para a compra de móveis. Segundo ele, os assessores precisaram entregar o primeiro salário para outra servidora. “O primeiro salário de assessor, todos nós tivemos que passar para as mãos de outra assessora para comprar a mobília”, declarou. Laércio afirma ainda que parte dos móveis seria destinada a atividades pessoais da vereadora.

Outra acusação apresentada pelo ex-assessor envolve viagens pelo Rio Grande do Norte. Ele afirma que Thabatta utilizava carro e combustível da Câmara em deslocamentos de campanha e que os assessores precisavam arcar com a própria alimentação. “Ela dizia que nós tínhamos salário, que era uma obrigação nossa bancar”, relatou.

Laércio também descreveu um cenário de tensão dentro do gabinete e afirmou que, dos 13 assessores inicialmente nomeados, apenas três teriam permanecido na equipe. Segundo ele, parte dos servidores deixou os cargos após episódios de humilhação e outros teriam receio de falar sobre o assunto.

Em manifestação pública, sem citar Laércio nominalmente, Thabatta afirmou que tentam lhe “imputar coisas absurdas”, relacionou as acusações ao período eleitoral e disse que o caso deve ser tratado pela Justiça. Sobre a relação com o irmão, declarou: “Deixem a minha maternidade atípica em paz”. A vereadora não respondeu individualmente às acusações sobre devolução de salários, tarefas na residência, compra de móveis e uso de recursos públicos em viagens. As denúncias apresentadas pelo ex-assessor ainda dependem de apuração e comprovação.

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