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Um relatório produzido pela direção da Penitenciária Estadual de Alcaçuz aponta graves fragilidades na segurança da unidade durante a gestão da governadora Fátima Bezerra (PT). O documento registra falta de policiais penais, postos de vigilância desativados, falhas no sistema de câmeras e até a entrega de chaves de celas a presos que trabalham no presídio.

O “Relatório Situacional Alcaçuz Agosto 2026” foi elaborado pela direção, vice-direção e chefias de Segurança e Disciplina da penitenciária. O documento reúne ocorrências e dificuldades enfrentadas pela unidade e vem sendo utilizado pela administração para subsidiar pedidos de providências à cúpula da Polícia Penal.

Entre os pontos considerados mais graves está a utilização dos chamados “presos pagadores” para o trancamento de outros detentos. Segundo o relatório, a prática ocorre em razão da insuficiência de efetivo e representa uma transferência indevida de uma atribuição que deveria ser exercida exclusivamente pelos policiais penais.

A direção aponta como prioridade a recomposição do quadro de servidores para interromper a entrega de chaves a internos ou, como alternativa, reduzir as demandas da unidade ao número de policiais disponíveis.

O relatório também descreve situações em que setores da penitenciária chegaram a iniciar o plantão com apenas um policial penal. Em outro momento, uma queda de energia deixou o sistema de videomonitoramento inoperante por várias horas, aumentando, segundo a administração, os riscos de perda de controle, rebeliões e fugas.

A falta de servidores também teria levado à desativação recorrente de postos de vigilância. O documento aponta problemas em câmeras instaladas na muralha e em áreas externas, algumas delas permanecendo por dias sujas, sem foco ou completamente fora de operação.

Em um dos setores, o relatório registra a presença de apenas um policial penal para 315 presos. O documento compara a situação ao parâmetro de um agente para cada cinco detentos e afirma que a proporção compromete a capacidade de prevenção e resposta a ocorrências.

A segurança externa também teria sido prejudicada. Segundo o relatório, problemas estruturais impediram o funcionamento regular de alguns postos e levaram à adoção de rondas motorizadas como alternativa. Mesmo essa medida, porém, teria deixado de ser realizada na maior parte dos dias devido à falta de efetivo.

Risco de novas fugas

As fragilidades descritas no documento ocorrem após uma sequência de fugas no Complexo Penal de Alcaçuz. Desde maio, 17 presos escaparam de unidades do complexo: cinco de Alcaçuz em 2 de maio, 11 do Presídio Rogério Coutinho Madruga em 31 de julho e mais um de Alcaçuz em 8 de setembro.

O relatório de agosto também registra situações consideradas indicativas de preparação ou tentativa de fuga. Entre elas estão a tentativa de um preso de ultrapassar uma estrutura de segurança, uma abertura encontrada no teto de uma cela, cordas artesanais e danos na alvenaria.

Cerca de 90 internos que exercem atividades profissionais deixam diariamente os pavilhões para trabalhar nas oficinas da unidade. Eles atuam em áreas como esquadrias, costura, fabricação de tijolos de calçamento e reciclagem. Conforme o documento, a falta de vigilância adequada nesses locais representa risco de fuga.

O relatório ainda cita episódios de tensão entre os internos, incluindo um caso em que um preso teria escondido uma lâmina retirada de um barbeador e se recusado a entregá-la após ser descoberto. De acordo com o documento, ele tentou incitar outros detentos contra a guarda, gerando risco de confronto e motim.

 

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