George Antunes, Álvaro Dias e Adjuto Dias, da esquerda para a direita. - Foto reprodução

Uma interceptação telefônica realizada pela Polícia Federal em 2021 voltou a colocar a gestão do ex-prefeito de Natal Álvaro Dias no centro das discussões sobre a compra de respiradores durante a pandemia de Covid-19.

Na conversa, o então secretário municipal de Saúde, George Antunes, afirmou que o ex-secretário adjunto Vinícius Capuxu, posteriormente denunciado pelo Ministério Público Federal, era uma pessoa de confiança do então prefeito e de seu filho, o deputado estadual Adjuto Dias. George também levantou a hipótese de que outras pessoas poderiam estar envolvidas na negociação. A fala, porém, foi apresentada como uma suspeita do ex-secretário e não como uma conclusão da investigação.

O caso envolve a compra de 20 respiradores por R$ 2,16 milhões, realizada em 2020 por meio de dispensa de licitação. O MPF apontou prejuízo estimado em pelo menos R$ 1,43 milhão e denunciou Vinícius Capuxu e o empresário responsável pela empresa fornecedora. Álvaro, Adjuto e George não são réus nessa ação penal.

Na ligação, George também afirmou que inicialmente resistiu à aquisição e que teria autorizado a compra após receber do adjunto a informação de que não havia outras opções disponíveis no mercado. O ex-secretário disse ainda que não poderia afirmar se havia algum “interesse escuso” por parte de Vinícius.

O episódio volta ao debate político em meio à candidatura de Álvaro Dias ao Governo do Estado pelo PL. A defesa do ex-prefeito nega irregularidades e contesta a associação de seu nome às acusações. Além disso, uma decisão judicial de agosto de 2026 determinou a exclusão das interceptações telefônicas e de suas prorrogações, embora tenha mantido o recebimento da denúncia com base nas provas consideradas válidas.

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