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As despesas do Poder Judiciário brasileiro atingiram R$ 164,6 bilhões em 2025, o maior valor registrado desde o início da série histórica do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em 2009. O montante representa crescimento real de 7,8% em relação ao ano anterior e equivale a 1,3% do Produto Interno Bruto (PIB) do país.

Os dados fazem parte do relatório Justiça em Números 2026, divulgado pelo CNJ. Do total desembolsado pelos tribunais, R$ 148,5 bilhões foram destinados a despesas com pessoal, o equivalente a 90,2% de todo o orçamento do Judiciário. A rubrica inclui remunerações, benefícios, encargos, aposentadorias, pensões e outros gastos relacionados aos recursos humanos.

Na comparação com 2024, as despesas com pessoal cresceram 9%. Dentro desse grupo, 78% correspondem a vencimentos e subsídios, enquanto 10,4% foram destinados a benefícios e 6,6% a verbas indenizatórias. Os trabalhadores terceirizados representaram 4,1% das despesas com pessoal.

Indenizações somam R$ 9,8 bilhões

O relatório registra R$ 9,8 bilhões em indenizações e outras despesas indiretas relacionadas aos recursos humanos. A categoria inclui itens como diárias, passagens, auxílio-moradia e outras verbas, mas o CNJ ressalta que o valor também engloba despesas que não são pagas diretamente a magistrados ou servidores, como treinamentos, capacitações e deslocamentos vinculados a ações de acesso à Justiça.

O levantamento também mostra que a Justiça do Trabalho foi o ramo com maior proporção de gastos destinados a pessoal, chegando a 95,8% das despesas. Nos tribunais superiores, a participação ficou em 90%.

Tecnologia recebeu R$ 4,4 bilhões

Entre as despesas fora da folha de pessoal, os investimentos em informática chegaram a R$ 4,4 bilhões, ou 2,6% do total gasto pelo Judiciário em 2025. Os recursos foram destinados a equipamentos, sistemas digitais e soluções tecnológicas, incluindo ferramentas de inteligência artificial utilizadas pelos tribunais.

Ao mesmo tempo em que os gastos aumentaram, a arrecadação obtida pelo Judiciário apresentou queda. Em 2025, foram R$ 68,2 bilhões, uma redução de 8,9% em relação ao ano anterior. O valor corresponde a aproximadamente 41% das despesas registradas no período.

A maior parcela dessa arrecadação veio de custas, taxas e emolumentos, que somaram cerca de R$ 30 bilhões. As execuções fiscais responderam por R$ 16,2 bilhões, enquanto os valores relacionados ao imposto sobre heranças e transferências de bens em inventários chegaram a aproximadamente R$ 15 bilhões.

Segundo o CNJ, porém, a arrecadação não deve ser utilizada isoladamente como medida de desempenho do Poder Judiciário. O órgão afirma que a função constitucional da Justiça é garantir direitos e solucionar conflitos, e não funcionar com finalidade arrecadatória.

O levantamento ocorre em um momento de discussão sobre os custos da estrutura judicial, remunerações e verbas adicionais. Especialistas ouvidos pela imprensa também apontam desafios relacionados à quantidade de processos e à duração das ações, enquanto o CNJ destaca que o volume de recursos destinados a pessoal está relacionado à própria natureza da atividade jurisdicional.

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