O deputado estadual e candidato à reeleição Luiz Eduardo Bento da Silva (PL), aliado e candidato apoiado por Álvaro Dias, confirmou que o dinheiro apreendido pela Polícia Federal (PF) durante uma operação em Natal havia sido sacada de contas do próprio parlamentar e estava guardada em sua residência. A defesa, no entanto, não explicou por que os valores foram retirados das contas e mantidos em espécie.

Em nota, os advogados afirmaram que os recursos têm origem “lícita, declarada e plenamente comprovada” e que não foram utilizados em despesas eleitorais. A defesa informou que pretende apresentar às autoridades os documentos que comprovariam a origem do dinheiro, mas os comprovantes não foram divulgados.

A manifestação ocorreu após a PF deflagrar, nesta segunda-feira (14), a Operação Sem Lastro, que cumpriu dois mandados de busca e apreensão em Natal. Durante as diligências, foram recolhidos celulares, documentos, equipamentos eletrônicos e mais de R$ 1,5 milhão em dinheiro.

Segundo a Polícia Federal, a investigação apura possíveis crimes de falsidade ideológica eleitoral e movimentação de recursos financeiros que não teriam sido declarados à Justiça Eleitoral. A corporação identificou saques em espécie realizados por um servidor do Rio Grande do Norte em circunstâncias consideradas suspeitas.

O comunicado oficial da PF não cita Luiz Eduardo, não informa os endereços das buscas nem detalha quanto dinheiro foi encontrado em cada local. A corporação também não mencionou suspeita de compra de votos. Até o momento, não há informação sobre prisões relacionadas à operação.

Na declaração apresentada à Justiça Eleitoral, Luiz Eduardo informou patrimônio de R$ 1,34 milhão, incluindo dois apartamentos, contas bancárias, um consórcio e R$ 719,9 mil aplicados em VGBL, modalidade de previdência privada. Informações atribuídas a fontes não identificadas apontam que o dinheiro apreendido poderia ter saído dessa aplicação, mas a hipótese não foi confirmada pela PF nem pela defesa.

Na prestação de contas da campanha, atualizada até domingo (13), o candidato declarou R$ 389,5 mil em receitas, sendo R$ 350 mil provenientes da Direção Nacional do PL e R$ 39,5 mil em doações de pessoas físicas. Não foram registrados recursos próprios aplicados na campanha. As despesas contratadas somavam R$ 676,2 mil, dos quais R$ 131 mil estavam pagos.

A defesa afirma que o dinheiro não foi utilizado em despesas eleitorais e nega, portanto, relação com caixa dois. A investigação ainda deverá analisar os documentos e equipamentos apreendidos para esclarecer a origem, a movimentação e a possível destinação dos recursos.

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