A prefeita de Rafael Godeiro, Ludmila Amorim (MDB), causou repercussão ao declarar, durante um comício realizado neste mês, que eleitores que não votarem nos candidatos apoiados por ela não devem procurá-la posteriormente em busca de ajuda.
Durante o discurso, a prefeita afirmou que também teria o direito de deixar de ajudar quem não seguir sua orientação eleitoral.
“Quem não votar, não me procure, porque eu também tenho o direito de não ajudar”, declarou.
Na sequência, Ludmila afirmou que consegue identificar o comportamento eleitoral da população. “Quem pensa que eu não vejo? Vejo”, disse a prefeita.
A fala gerou críticas nas redes sociais por estabelecer uma relação entre a escolha do eleitor nas urnas e uma eventual ajuda oferecida pela gestora municipal. O voto no Brasil é secreto, e o eleitor não é obrigado a revelar sua escolha.
Ludmila apoia uma chapa que reúne nomes de diferentes cargos nas eleições de 2026. Entre os candidatos apoiados pela prefeita estão Dr. Bernardo para deputado federal, Kaline para deputada estadual, Styvenson Valentim e Coronel Hélio para o Senado, Álvaro Dias para o Governo do Rio Grande do Norte e Flávio Bolsonaro para a Presidência da República.
A declaração ocorreu durante um período de mobilização política para as eleições deste ano. O pedido de voto e a manifestação pública de apoio a candidatos são permitidos aos agentes políticos, mas a fala da prefeita chamou atenção por mencionar a possibilidade de negar ajuda a quem não seguir sua orientação nas urnas.
Ao afirmar que “vê” como os eleitores votam, Ludmila também levantou questionamentos sobre o sigilo do voto. A urna eletrônica não permite ao candidato ou ao político identificar individualmente a escolha feita por cada eleitor.
O episódio ganhou repercussão justamente pelo contraste entre o direito de uma autoridade declarar seus candidatos e a utilização da estrutura ou da capacidade de atendimento do poder público como argumento durante uma disputa eleitoral.
A declaração da prefeita agora deve gerar questionamentos sobre os limites entre a atuação política de uma gestora e a relação com os eleitores do município.




