Foto: Sandro Menezes/Assecom

O impacto das tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros já representa uma perda expressiva para o comércio exterior do Rio Grande do Norte. Dos US$ 37,3 milhões em mercadorias que o Estado deixou de vender ao mercado norte-americano nos segmentos diretamente atingidos pelas sobretaxas, apenas US$ 900 mil foram compensados com novas vendas para outros países. O valor equivale a aproximadamente 2% do que foi perdido.

Os números fazem parte de um levantamento realizado pelo Sebrae/RN a partir da análise da balança comercial potiguar entre 2020 e o primeiro semestre de 2026. O estudo aponta que a maior parte da redução nas vendas aos Estados Unidos não foi substituída por novos compradores, indicando uma perda efetiva de mercado para os exportadores do Estado.

Pescados, produtos de origem animal, granitos, confeitos e sal praticamente não conseguiram encontrar destinos alternativos para compensar a retração das vendas aos norte-americanos. A castanha de caju foi o principal caso de reação, com parte das exportações redirecionada para Peru, Chile, Equador, El Salvador e França.

Para especialistas a dificuldade de encontrar rapidamente novos mercados está relacionada ao fato de que relações comerciais internacionais dependem de uma série de fatores construídos ao longo do tempo, como contratos, logística, padrões de qualidade, exigências sanitárias, preços e confiança entre empresas.

 A imposição das tarifas acabou reduzindo a competitividade dos produtos potiguares antes que os empresários tivessem condições de estabelecer novos compradores em outros países. A consequência, segundo ele, é que a perda de um mercado ocorre em velocidade muito maior do que a construção de uma nova relação comercial.

Exportações para os EUA caíram após as tarifas

O levantamento do Sebrae também mostra uma mudança significativa no fluxo comercial entre o Rio Grande do Norte e os Estados Unidos depois da entrada em vigor das tarifas.

Antes da sobretaxa, o Estado exportava, em média, US$ 8,7 milhões por mês para o mercado norte-americano. Durante os três meses em que a tarifa de 50% esteve em plena aplicação, a média mensal caiu para aproximadamente US$ 3 milhões.

Quando considerados apenas os produtos atingidos diretamente pelas medidas, a redução nas exportações chegou a 58%.

A retirada gradual das barreiras trouxe alguma recuperação, mas o comércio ainda permaneceu distante do patamar registrado antes do tarifaço. Após a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos, em fevereiro de 2026, que contribuiu para o processo de redução das restrições, as exportações potiguares passaram para cerca de US$ 3,9 milhões mensais durante a fase de alívio parcial.

Posteriormente, o fluxo chegou a aproximadamente US$ 4,8 milhões por mês. Mesmo assim, o resultado continuou abaixo da média de US$ 8,7 milhões registrada antes das tarifas.

O cenário mostra que a retomada das exportações não ocorreu na mesma velocidade da redução das barreiras. Para o Rio Grande do Norte, o principal desafio passou a ser recuperar compradores perdidos e, ao mesmo tempo, ampliar a presença dos produtos potiguares em outros mercados internacionais.

A baixa capacidade de redirecionamento das mercadorias também evidencia a dependência de alguns setores em relação ao mercado norte-americano. A experiência provocada pelo tarifaço reforça a necessidade de diversificação dos destinos das exportações para reduzir a exposição dos produtores potiguares a mudanças nas políticas comerciais de um único país.

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