foto: reprodução

A crise financeira do Grupo Casas Bahia já chegou diretamente ao Rio Grande do Norte. Enquanto a empresa enfrenta uma dívida de R$ 17,3 bilhões e recorre à Justiça para tentar reorganizar suas finanças, quatro unidades da rede foram fechadas no Estado.

Em Natal, deixaram de funcionar as lojas localizadas no Midway Mall, na Avenida Roberto Freire e no Partage Norte Shopping. Em Mossoró, a unidade do Partage Shopping também encerrou as atividades. Os fechamentos fazem parte de uma ampla redução da estrutura da companhia em todo o país.

A dimensão da crise fica evidente pelos números apresentados pela própria empresa. O grupo informou à Justiça que pretende fechar 298 lojas, o equivalente a aproximadamente 29% de sua estrutura, além de ter realizado cerca de 3 mil demissões.

No pedido de recuperação judicial, protocolado em São Paulo, a companhia declarou R$ 17,3 bilhões em dívidas. Desse total, R$ 16,4 bilhões são débitos com credores sem garantia, enquanto R$ 754 milhões correspondem a dívidas trabalhistas e R$ 154 milhões envolvem micro e pequenas empresas.

Impacto no comércio potiguar

No RN, o fechamento das quatro unidades representa não apenas a redução da presença física de uma das maiores redes varejistas do país, mas também uma mudança na dinâmica do comércio de Natal e Mossoró, cidades que concentram parte importante da atividade varejista potiguar.

A redução atinge inclusive pontos de grande circulação. O encerramento das lojas no Midway Mall, na Roberto Freire e no Partage Norte Shopping, em Natal, reduz a presença da marca em diferentes regiões da capital. Em Mossoró, a saída do Partage Shopping também elimina uma unidade da rede em um dos principais centros comerciais do interior.

A Casas Bahia acumula oito trimestres consecutivos de prejuízo e registrou uma perda de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026. O resultado contribuiu para que o patrimônio líquido da companhia chegasse a R$ 8,1 bilhões negativos.

A empresa atribui parte das dificuldades ao aumento dos juros, à inadimplência das famílias, à redução do poder de compra e à concorrência cada vez maior das plataformas digitais. O grupo também afirma que vinha adotando medidas de redução de despesas e fechamento de unidades consideradas deficitárias.

Quatro lojas fechadas no RN

Com os quatro fechamentos, o Rio Grande do Norte passa a sentir de forma mais evidente os efeitos da reestruturação da varejista. A medida também levanta dúvidas sobre o futuro das demais unidades que continuam funcionando no Estado.

A companhia afirma que pretende concentrar suas operações em negócios considerados mais rentáveis, reduzir custos e fortalecer o caixa durante o processo de recuperação judicial.

O movimento coloca o varejo potiguar diante de mais um sinal das dificuldades enfrentadas pelo setor. No RN, a crise da Casas Bahia já deixou marcas concretas: quatro lojas fecharam as portas antes mesmo de a recuperação judicial começar a produzir seus próximos capítulos.

Compartilhe esse conteúdo: